By a lonely harbor wall, she watched the last star fall
As the prison ship sailed out against the sky
For she lived to hope and pray for her love in Botany Bay
It's so lonely round the fields of Athenry.


Low lie the fields of Athenry
Where once we watched the small free birds fly
Our love was on the wing
We had dreams and songs to sing
It's so lonely round the fields of Athenry.



:: Longe de ti mesmo que só por um instante ::

E ali se alistou para o embarque,
para um afastamento incompatível com a vontade,
como quem reluta a ir para a guerra,
sem saber ao certo quando irá voltar.

A despedida não fazia sentido algum
num coração inundado da vontade de ficar não havia espaço para um adeus

A ideia da despedida vagava como um pensamento deslocado
As pernas tremiam como quem quisesse andar na direção contrária
e ficar mais um dia do teu lado

Conclui ali, no auge do paradoxo,
que não saberia, nem poderia, dizer-te adeus

Se o calor da proximidade era tão intenso como um fogo de forja
que deseja fundir carbono e ferro de forma cada vez mais inseparável
O frio daquele adeus soava como sino de igreja,
como quem vela, e beija pela ultima vez.

Mas por fim resolvo minha despedida
Como não sei te dizer adeus, digo que te amo
e que além de ti, nada mais importará...



"You became the light on the dark side of me.
Love remained a drug that's the high and not the pill.
But did you know,
That when it snows,
My eyes become large and
The light that you shine can be seen."

:: Poema de amor em dia amargo ::

E foi nessas andanças que descobri que te amava como poucas vezes fui capaz de amar.
Há muito tempo que te amo como se não houvesse distância.
Mas só agora é que te amo como se não houvesse amanha,
como se o tempo definhasse ante tua presença.

Tem horas que o amor é tanto que dói.
Dói de egoísmo, de vaidade, de se infantilizar.

E querer ter como se nunca ninguém tivesse tido,
Fazer de duas uma só vida como se nenhuma delas já tivesse sido vivida.
Sofrer pelas promessas que você nunca fez e descumpriu...
por cada beijo que deu e que outros também deram.

Se culpar pela atenção dividida, pela hora perdida,
por não estar la quando ninguém lá estava.
Se sentir como quem não sabe se ama a "tabacaria do outro lado da rua"
ou os sonhos "como coisa real por dentro".

E é no meio desses paradoxos que se pode olhar com clareza dentro do peito
enxergar o próprio espirito e perceber o quão só ele está la dentro.

Talvez seja este o preço a se pagar por algo tão raro e tão valioso.

Mas a mão que sente afasta o sofrimento. Cura a minha alma que te quer.
Te amar e te fazer feliz, como se fosse o último.
Te querer bem, tão intensamente quanto o meu sol e a sua chuva.

E lembrar dos ritmos que vivemos, dos jogos que jogamos,
dos olhares que trocamos e que nuca mais esquecerei.

Sabendo que do pior que há em minhas sombras, não há um tom de cinza que sobreviva,
aos teus olhos celestes, nem rispidez que não sucumba ao contágio do teu carinho.

Será sempre um amor imortal, que ocupará o peito enquanto o coração bater
e assombrará a alma mesmo depois que o coração ressecar.




"There is something
in your eyes
flowing them over
stealing all the harmony
which lives in me
your hands are covering my tears"



:: Santos não lhe salvarão de ti mesma ::


Eu sonho, tu sonhas, todos sonhamos... mas tu sonhaste mais.
No auge da tua graça, você era imbatível.
A beleza do teu futuro iluminava o teu presente ao ponto de fazer gravitar em torno de ti todos os sonhadores.
Teu sonho de futuro, teu projeto de si, tuas pretensões, eram o farol que fazia atrair até o mais remoto vaga-lume

O auge da tua graça, o ápice do teu brilho, voo de gaivota nos ares de viola enluarada.
Mas a vida nem sempre comunga dos nossos sonhos,
a força do pensamento nem sempre dobra o rumo que a vida resolve seguir.

E antes que se de conta, o tempo e a idade lhe impõe a certeza da que aquele projeto não se realizou.
E fica o clarão do brilho que se apagou, que o tempo deixou marcado na nua estória de tua vida.
Impondo-lhe teu cotidiano, cujo sabor se perde num paladar ofuscado por um brilho que não existe mais.

Um brilho que nunca existiu, um projeto não realizado, um futuro não edificado,
uma ideia de vida que de tão forte, enquanto era apenas ideia, fez-se realidade ao ponto de poder ser antevivida
Ao ponto de se poder aproveitar... de se saborear, com todos os sentidos, aquele simulacro de epifania, agora, moribunda.

Tropeçada na idiossincrasia das rotas do acaso, teu projeto foi abortado
Perdido no labirinto de caminhos, tomou a rota do esquecimento.
A grandiosidade daquilo que sonharas em ser, restará encerrada dentro de ti,
Guardaras pra ti o mais poderoso segredo, cujo absoluto sigilo encerra-se na redundância de sua nunca-realização.

E perde-se...
como a força da luz da mais bela estrela de outrora,
a força daquele não-brilho lhe comprime, fazendo-lhe redobrar-se dentro de si,
lhe colapsa as estruturas de teus próprios sentimentos,
Encerrando-lhe no fundo de algo que, de tão escuro, é capaz de tragar qualquer raio de claridade que lhe tangencie.

- Dor da metamorfose da estrela em buraco-negro -

"There's a sort
of inner dance
trying to seduce me
feeling this anomaly
which takes me"
:: entre a cruz a manguaça e a insignificância universal ::


Jesus sendo crucificado e eu aqui... de ressaca. Acho que no fim das contas, é uma forma pessoal e cotidiana de experimentar a via crucis.

Dominar o fluxo do tempo é como a fuga de Papilon, é tudo sobre paciência e observação, sobre como perceber o comportamento das correntes para, um dia, aproveitar uma janela de confluência e navegar para longe das paredes de pedra que lhe aprisionam.
No fundo, toda a existência humana é um sonho de cenobitas, é a vida num corpo transpassado por cordas puxadas por forças que nos empurram, ininterruptívelmente, por entre o tempo, através das décadas, rasgando o tecido temporal e, com ele, desgastando-nos até que este corpo sucumba à sua própria limitação química e, neste momento-instante de colapso, toda a energia que lhe navega se desfaz, liberando as inúmeras cordas que retornam a seu repouso universal... ao menos, até que outro louco resolva cavalga-las.

Não adianta olhar para o futuro, querendo entende-lo se vc não enxerga o próprio passado. Teus oráculos só te revelarão o que vc é.
Não adianta querer esperar que o tempo lhe transforme o futuro e lhe mude a vida. Toda a existência humana se limita a experimentar o percorrer do caminho e não o destino final, (até pq, o único futuro certo que todos temos é sabe o nosso final).

E até lá, vou harmonizar chocolate belga com vinho de colheita tardia e tentar encurtar o meu caminho até a ressurreição.
Os inimigos que combati, vi sucumbirem no caminho. Sucumbiram pela ação das intemperes, mas se foram com o passar do tempo, lentamente, como se vai a duna pela ação da briza.
Eu mesmo muito pouco conquistei, mas de uma forma ou de outra meus objetivos me alcançaram.

Na tormenta da vida cotidiana os ventos que me jogaram contra a costa deterioraram as pedras que la me esperavam e no fim, restou apenas eu inútil na imensidão.

E eis que coube a mim, arauto de um grito mudo, cavalgar a tempestade.
Excitement: much more about Desire than Satisfaction
O Jogo da Vida é um eterno deja vu.

Até um beco sem saída é um fim em si mesmo...

"quando você olha muito tempo para o abismo,
o abismo passa a olhar para você"


p.s: ainda retomo isso este ano...
"medo de espelhos e coitos..."

Alguns dizem que a noite todos os gatos são pardos... talvez fosse mais factível dizer que na noite todos os sóbrios são insanos.
Festa em casa afastada, com um monte de gente, mas não se reconhece ninguém. Sensação de claustrofobia em espaço aberto, de aperto extrovertido, de falta de um terreno seguro, de que a qualquer momento acontecerá algo inesperado.
Entra, passa por uma porta, percorre-se umas paredes e a obviedade não lhe faz muito sentido. Ignora-se todas as conclusões que a razão insiste em apresentar.
A angustia prevalece onde a monotonia do silencio se confunde com a homogeneidade do barulho.... busca-se um ritmo, uma batida... que mova o corpo, que ocupe a mente e que sirva de alicerce para o que não se sustenta estaticamente em pé.

Para na fila do banheiro e toma um tapa de filosofia noturna: olha no espelho e escuta um ebrio balbuciando algumas certezas - que certamente possuía um sentido maior, um contexto longamente apresentado - e tudo o que se ouve é: "tenho medo de espelhos e coitos! Pois eles multiplicam o ser humano".
:: Requiem for a dreamer ::

"Meus bons amigos, onde estão
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida de forma diferente
Às vezes me pergunto: Malditos ou inocentes?
"


Velórios não são feitos para os mortos, mas sim, para os vivos.
Da mesma forma, esse texto não é para quem morreu, é para os que ficaram, que se lembram de alguém que não se esquece.

Era um funeral incomum. Fim de tarde, não houve velório e a familia não estava lá, apenas os amigos. Enterrar um amigo é o mais próximo que consigo chegar de enterrar a mim mesmo. Ultimamente isso tem sido comum pra mim... a maioria das pessoas enterra parentes velhos, eu enterro amigos... acidentados, assassinados, suicidas.
Nada mais simples e objetivo do que uma faca no coração.

Era um fim de tarde, um crepúsculo de uma vida. O céu tinha poucas nuvens, muita poeira no ar, um vermelho característico do por-do-sol de Brasília. Se eu pudesse escolher um céu para ser enterrado seria aquele.

O enterro foi num lado escuro do cemitério, logo que o sol se pois veio a escuridão, com ela, algumas lágrimas dos amigos mais próximos. Sim... era um enterro incomum em que as mulheres choraram de forma discreta. O finado também era uma pessoa incomum, alguém de poucos mas bons amigos, não tão fortes para conterem as lágrimas.

Essa é uma curiosidade que nunca vai morrer: o dia da minha morte. A maldição do Cyclope me afeta de forma diferente. Acho que nunca saberei se terei um velório, quem irá me enterrar.

Tantas teorias perdidas embaixo de sete palmos de terra, tantas conversas de bar que se foram e que nunca mais virão... alguns livros que não serão publicados.

Meu bom amigo, tua memória permanecerá... descansai, esteja onde estiver.
"When summer's gone and winter's past
It seems like a neverending way
And thinking of what I have to say
It seems like a neverending way"


:: Pos-Moderno não é sci-fi ::

Um belo dia resolvi escrever um artigo que tratava do viés da rede no processo decisório democratico. Democracia eletrônica e essas coisas...
Era pra um grupo de pesquisa desses ai la de fora, de universidades que tem dinheiro sobrando, que são competentes em fazer e executar projetos, mas que são pesquisadores extremamente ineficientes.
Bem... la no meio do trabalho falei de compressão espaço-temporal.
Nem precisa dizer que o artigo foi rejeitado... heeh... mas o que me chamou mais a atenção foi o fato de um dos revisores ter comentado que eu estava usando termos de ficção cientifica, a final, que relação com a realidade teria um artigo que fala do enviesamento de votos colhidos por internet e, nisso, trata de compressão do espaço-tempo?
Pois é... tem coisas que realmente me fazer achar que não vale a pena perder tempo explicando coisas que não serão entendidas... deixa eu ser mais claro aqui... eu escrevi coisas obvias (complicadas mas obvias) para serem lidas pelos melhores especialistas no mundo sobre o tema... e, pior do que eles nao concordarem com meus argumentos, eles se quer tinham arcabouço conceitual para entender o que eu tava dizendo.

Por fim... redescobri um conceito que tem me agradado ultimamente, eu gostava da ideia de ser anti-social, mas no fundo, eu nao era exatamente anti-social, eu gosto de ver pessoas, o que me incomoda é a interação... ai que, redescobri a misantropia como auto-definição.

Saludos a los que se quedam alejos de estos canteros
"Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut"


:: Troco posts por comida ::
(e tmb explico pra que serve um nerd)

Viemos eu, meu gravador e meu blog moribundo, acompanhar o Campus Party em Sampa.
De imediato, tudo parece uma salada de multiculturalismo, um simulacro de diversidade legitimosa. Na abertura tivemos um "robo" que fala português com sotaque, um músico que depois transvirou-se em ministro, uma mesa que tem sons e cores, e uma bateria de escola de samba como plumas-pra-espanhol-ver na cabeça.

Deixando de ser antropologo e voltando a ser sociologo...

Cheguei à conclusão que o evento todo é uma grande navegação-em-carne-e-osso na internet. Se alguém tinha alguma duvida de que a rede era feita por pessoas, agora não tem mais.
E assim como na Internet, o fenômeno mais marcante do evento é o ruido no canal de comunicação. Qualquer canal... se parar pra conversar com alguem, se parar pra ouvir uma palestra, vai haver barulhos e ruídos e etc ao fundo, todo o tempo e o tempo todo.
Convicto de que estou imerso no ciberespaço-não-virtual, sai para "navegar" pelos "sitios" dos diferentes temas do evento (desenvolvimento, games, modding, astronomia, etc) para tentar comprovar minha tese.
Logo, me deparei com uma palestra que não era palestra, mas sim, propaganda. Segui minha navegação para dar de cara com uma oficina interessantíssima, e, no meio dela, pelas caixas de som, a publicidade conclamava aos interessados para participarem de um campeonato de jogos.
Segui pelo hiperlink e cai num "sitio" de simulação de guerra e quando decide migrar para outro site com outro conteúdo, eis que "pop-up!" e dou de cara com um inesperado "Abraços Grátis" que perambula pelo espaço ciber-real.
E lógico... como era de se esperar, enquanto "navego" vou recebendo "mensagens instantâneas" dos amigos que encontro, seja na conversa rápida do tipo "ei, vai começar o debate com o Marcelo Taz" ou pelo telão que tem no "sitio" do Campus Blog, ou um SMS que chega pelo Celular.
E assim como quando um bom site é DEScontinuado por motivos que vc nunca vai saber, a DESconferencia DESdesapareceu... eu clico nos links que pensei que pudessem me levar lá, ou seja, falo com as pessoas que estavam na reunião do BarCamp de segunda... e ninguém me leva a lugar nenhum.
E tudo isso com musica ao fundo, má iluminação, invadindo o horário de sono e de almoço, num ambiente que me faz lembrar um mega-portal, onde todos tem que "logar" para entrar (alias... a página de login tava dando lag na segunda-feira), e cujo acesso é determinado pelo nível do usuário... se vc tem um "P" Azul, vc entra, se vc tem um "P" Amarelo vc come, se vc tem um "C" vc fala no microfone, e se vc tem um "O" preto, ou vc corre, ou fuma enquanto reclama em castelhano!... só não achei ainda o site do tradutor on-line, mas td bem... o "robo" da abertura tmb não achou, então eu não sou o único.

De resto, me resta perguntar: depois de censurarem o YouTube no backbone, ilegalizarem o P2P, censurarem a venda do CS.. ninguem vai propor NENHUMA AÇÃO POLÍTICA?

"Tu sabes,
conheces melhor do que eu a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
"
:: Bloody Mary Gasolina ::

Alguma vez vc ja amou a perfeição ao ponto de querer-la infinitamente e, ao mesmo tempo, temer ter-la perto e com isso, deixar seus defeitos corroerem aquilo que tanto ama?

Velho dilema, velha ambiguidade...mas fica pra outra hora.

Que falta me fazem pessoas que me instiguem...

Ontem foi carnaval... hj tmb e amanha ainda será...
Ontem eu vi a noite virar dia, eu vi um velório virar festa (sim...) e vi uma festa virar velório.
As vezes parece que vemos coisas de mais... as vezes parece que tudo faz parte de ti que faz parte de tudo que nao faz o menor sentido.

Pior nao é aquele que teme por inseguro que é,
Pior sofrimento é o de quem realiza que o erro é uma conseqüência lógica de tudo o que esta posto, do encadeamento dos fatos, e que mesmo antevendo o resultado, não há nada que se possa fazer para mudar o fato fundamental de que o erro é produto da essência, da mesma essência que se ama, se idealiza... tudo, redundando na máxima óbvia, de que o amor e o ódio são dois gumes de uma mesma faca, duas faces de uma mesma moeda, redundando na inevitabilidade da constatação de que a amada essência idealizada é mera ilusão.

Queria eu poder sofrer até morrer de amor... mas o tempo e a existência me fizeram entender que se é pra ter algo que me corroa por dentro em longa agonia e me leve a morte, será cirrose.

As vezes eu acho que Fernando Pessoa escreveu um poema só, com vários textos diferentes, e eu é que não consigo interpretar a plenitude inesgotável de cada um.

Ontem eu tomei um Bloody Mary que tinha gosto de gasolina, acho que afetou pobres neurônios meus de alguma forma...

...pessoas que me impressionem, pessoas que me inspirem...

"Alcool não tem gosto de gasolina" diria o frentista atento
:: Feliz Ano Novo à todos ::


Céu se abrindo após a tempestade
Cheiro de agua depois da chuva de verão
Noite estrelada após dia seco de sol forte
Cheiro da manhã depois da noite mal dormida (mas bem aproveitada).
Sol nascendo depois da madrugada

Quando uma imagem vale mais que mil palavras

Quando o sentido da vida parece ser sobreviver para deleitar-se na beleza da simplicidade do imediatamente depois.
Da mesma forma que existe uma Semana Santa, existe, no nosso calendário, uma Semana da Hipocrisia.
Nós, humanos, bipedes, latinos, ocidentais, e tupiniquins aprendemos essencialmente por mimetismo. Observamos o que as pessoas fazem e fazemos também.
No fim do ano, todo mundo fala que deseja felicidades, alegrias e tudo mais porque todo mundo fala que deseja essas coisas boas.
Copiamos o comportamento "falar" muitos esquecem que esse deveria resultar de um desejo sincero de melhoras. Copiamos atos desprendidos de suas razões e de seu significado.
O natal e o ano novo deveriam ser um tempo em que as pessoas refletem sobre o seu ano, avaliam o que se passou e, num processo casado de auto-critica e auto-conhecimento, tornam-se pessoas melhores.
Nosso natal, porém, é feito de peru pré-temperado, de presentes comprados para serem trocados no dia seguinte, de verbos que deveriam representar sentimentos, mas que, em sua maioria, se limitam a pequenez da palavra vazia de significado.

Esse distanciamento entre as coisas como deveriam ser e as coisas aprendidas por mimetismo chega a criar uma certa surrealidade imperante que ninguem se da o trabalho de notar. Duvida... quer uma prova?

Papai-Noel : O bom velhinho veste roupas vermelhas, invade a casa das pessoas pela chaminé e lhes deixa presentes numa meia ou embaixo da arvore de natal, isso, durante o aniversário do nascimento de cristo. Noto o erro?
Bem... no nascimento de cristo, quem levou-lhe presentes nao foi um velho barbudo num trenó, foram 3 reis ricos e supostamente magos. Alias, certamente não chegaram num trenó de renas, mas sim, numa caravana de dromedários já que belem fica no meio do deserto, no oriente médio, onde renas nao sobreviveriam, onde um trenó de neve nao andaria 3 metros e onde as pessoas nao precisam de chaminé para lareiras.

Arvore de Natal : Bem... essa fala por si só... alguem ja viu pinheiros em "Lawrance das Arabias"? E, fitas e estrelas, tudo bem, mas alguem sabe o que sao aquelas bolas decorativas que só aparecem na época de natal? Alguem ja pensou sobre o significado de se sacrificar uma arvore para fins exclusivamente decorativos?

Eu ia escrever sobre o ano novo, mas acho que o natal acabou me prendendo mais a atenção... bem... ótima páscoa para todos e que no próximo ano nenhum de nós repita os mesmos erros mais uma vez!
"O hoje é apenas,
um furo no futuro
Por onde o passado começa a jorrar.
E eu aqui isolado,
Onde nada é perdoado
Vejo o fim chamando o principio
pra poderem se encontrar"


:: Twinlight Zone ::

Tem dias em que tudo gira tao rapido que na constancia da correria, todo o movimento é uma mancha em um grande quadro pintado na parede.
Os olhos se ofuscam...pouco a pouco a tinta escorre...

Tem momentos em que parece que o tempo se esquece que é três.
Tem momentos em que o passado já se foi e o futuro esquece de chegar

Não somos nós que paramos no tempo... é o tempo que nos esqueceu fora do seu fluxo.
O que fizemos para sermos esquecidos?

E cada bater de asas de uma borboleta ressoa como um pistão de uma locomotiva que começa a sua jornada lentamente

Cada carro que passa longe na pista soa como uma onda, daquelas que quebram várias vezes na praia, e que na singularidade de cada uma, trazem a certeza de que após, outra mesma e redundante onda virá.

Dias que de tanto respirar e expirar falta tempo para a inspiração

O fundo dos meus olhos lhe revelará



"I close my eyes
only for a moment
and the moments gone
all my dreams
pass before my eyes a curiosity
dust in the wind
all we are dust in the wind"

:: Pensamento Lateral em Noite de Insonia ::

Eu nao tinha nada que estar com insonia numa noite como esta.
Mas talvez seja exatamente o nada
que me perturbe.

Certa vez postei que a vida era algo como uma TV com chiado, mas o chiado da TV é outro assunto... mas fico com a metafora que talvez me sirva...
Quando só existem TVs preto e branco, vc acha ótima a vida em cinza, até aquela noite em que vc sai e descobre que a vida poderia ser a cores.
Voce nem mesmo sabe exatamente o que tem de tao bom na vida a cores, mas desde entao, a sua velha vida em preto e branco se torna a coisa mais monotonica que alguem poderia vivenciar

De repente eu me vejo vivendo em preto, vislumbrando o que poderia ser um raio de cor, o que poderia ser contemplar um par de vermelhos surgindo dentre tantos pretos numa noite de insônia.

De repente sao tantas duvidas, tantas coisas que se impõem que a única conclusão que chego é na redundância de que qualquer cor em preto e branco vira sombra.
De que levar cores para um mundo em tons de cinza é tirar-lhe exatamente aquilo que a faz especial, que a faz cor.

Acho que o que eu queria é ter alguem que me tirasse o sono.
Na falta de alguem, fico eu comigo mesmo
perturbando a sanidade que me resta.

Não é um poste que tenha que fazer algum sentido....
alias, se a vida toda fizesse sentido, nao teria mais muita graça.

Talvez a musica faça sentido..... talvez...


I see a red door and I want it painted black
No colors anymore I want them to turn black
I see the girls walk by dressed in their summer clothes
I have to turn my head until my darkness goes




:: Rituais de empoderamento ::

Eu sou o maior dos egoístas.
Eu passei toda a minha vida criando um legado anônimo de autruísmo.
MEU legado, meu ego.
Dizem que devemos punir o dolo dos nossos atos.

Não sei se meu dolo é por meu ego ou meu legado.
Relego ao tempo que me puna pelo que ele me julgar culpado.

Subverto a ordem e seus fundamentos pela minha ordem infundada.
Subverto aquilo que se fortalece nas suas fundações por uma antiordem que se fortalece no seu infundamento, no fundamentalismo da dinâmica acima de qualquer desordem.

Quando se esta numa batalha, pensa-se que de lá só são possíveis dois resultados:
ganhar ou perder.
Eu já me acostumei com dias em que se ganha e dias em que se perde.

Mas quando se luta contra aeons e contra antigos elementares,
quando se esta num confronto épico, as possibilidades são outras,
não nos limitamos a ganhar ou perder, mais do que isso,
dançamos entre a vitória e a derrota, o triunfo e o sacrifício.

Situações de crise são oportunidades, oportunidades perigosas e necessárias.
Toda a crise leva a crescimento, mas é na crise em que se decide quais pedaços de si teremos que abandonar para superar os desafios, para transpor as forças que nos pressionam.

Toda superação é renascimento, não se cruza o mesmo rio duas vezes, nem antes nem depois das cataratas de seu curso.
Depois de passar por debaixo da cachoeira perdemos o medo de se molhar...
após a superação de crises, não atravessamos o mesmo rio novamente
pq passamos a ter um pouco do rio e o rio passa refletir um pouco de nós.

"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para nao tornar-se um deles.
Quando vc olha muito tempo para o abismo,
o abismo passa a olhara para você"
"Conversion, software version 7.0
Looking at life through the eyes of a tired hub
Eating seeds as a pastime activity
The toxicity of our city, of our city
Now, what do you own the world?
How do you own disorder, disorder... "


::Brainrain::

Imagine a cena, um quarto desordenado, escuro, fim de semana, uma pessoa, e a unica fonte de luz é um velho computador.
Existência talvez seja o maior desafio de todos nós.
Ser o que somos... e o que somos?
(eu me espanto com a facilidade que os outros tem de preencher um perfil de orkut!)
Eu sou apenas um aglutinado de palavras soltas em um blog moribundo.
Vc, talvez um afoito leitor em um cyber-café, ou mais alguém que usa a tela do computador como iluminação ambiente.

Nada mais subversivo num mundo como o de hoje do que um blog que não quer aparecer.
É estranho as pessoas se definirem por seus aspectos mais curiosos, alguns elementos tão íntimos, tão tênues e tão fundamentais.

Quando se vive sozinho, preservar seu meio é auto-preservação.

Quando vc chega na sua casa, a pia da cozinha cheia de pratos a serem lavados, a poeira tornando-se visível em vários móveis que vc não usa ha algum tempo, o vaso sanitário com mais ares de mictório... aquele meio reflete vc, cada problema não resolvido, cada aspecto seu mal cuidado, cada parte negra do lado oculto de um pão esquecido sobre o criado mudo da cama de casal.



"In the eye of the storm you'll see a lonely dove
the experience of survival is the key
to the gravity of love"


"Tem dias que a gente se sente, como quem partiu ou morreu"
Pois é... hj é um desses dias.
Tem certas coisas que se fosse nos EUA era terrorismo, mas como é no Brasil, é o Governo.
Mas tem tanta coisa me indignando que eu nem vou parar pra falar disso.

***

É a ampulheta percebendo que a areia está acabando, que ou é hora de se perder o sentido de tudo e de si, ou toma-se uma atitude, vira-se tudo de cabeça pra baixo para começar de novo.

É confundir-se a sensação de cansaço porque as coisas não acabam, com o sentimento de que absolutamente tudo já acabou e nada começa.

Nada como amar infinitamente o finito e senti-lo ir-se embora na queda de cada grão de areia pelo buraco da ampulheta.

***


É ver num mesmo vislumbre o tempo fazer-se constante e o mundo parar de rodar.
É ver a individualidade perder-se num caldo de humanos igualmente diferentes.

"Eu queria ser uma bomba" daquelas que destrói com tanta intensidade que abre espaço para a reconstrução... do tipo que ninguém esquece, e que marca o novo começo.

Eu queria ver a mudança... mas acabo vendo que tudo muda o tempo todo e o mudar simplesmente passou a ser uma monótona constante.

Falta arte na minha vida.... artista. Falta algo de lúcido que só pode vir da insanidade de quem é capaz de transcender a razão para produzir uma obra que fala diretamente aos sentidos e comunica sentimentos.

***
"Senti vontade de destruir algo bonito"
***


Volto-me contra o mundo, contra tudo e contra todos... e descubro que tudo e todos, nos seus erros, carregam algo de mim...
Volto-me contra mim mesmo e nos meus erros, encontro o conforto de saber que sou exatamente como todos os demais.
E desço da minha eumesmisse para tornar-me mais um. Diluo-me no caldo de tudo e de todos, caio na dança e ao final... durmo como quem morre, ou melhor, como quem metamorfa-se em eu nenhum.

"Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
"



"Angely i demony kruzhili nado mnoj
Razbivali ternii i mlechnye puti
Ne znaet schast'ya tol'ko tot,
Kto ego zova ponyat' ne smog..."

(ninguém tmb é obrigado a saber japonês né..)

"Angels and demons were circling above me
Swishing through the hardships and milky way
The only one who doesn't know happiness
is the one who couldn't understand its call"


:: Humanos nao amadurecem, são cozidos até o ponto de servir ::


No século passado me ensinaram na escola que o ciclo da vida era nascer-crescer-reproduzir-morrer. Naquela época eu pensava nisso dentro de um contexto simeo, e a coisa sempre me soava como algo longo, algo que se levava "a vida inteira" pra realizar.
Especialmente o crescer... crescer era um processo que vinha sempre associado a uma arvore, à idéia de germinar, de estender lentamente os galhos em direção ao sol, encorpar-se o tronco e, no auge da maturidade, esbanjar flores que, por fim pudessem produzir frutos, transpondo-se do "crescer" ao "reproduzir".
Pois hj, a vida contemporânea me faz situar o nosso "ciclo da vida" num contexto distinto, mais como a existência de uma arvore de natal.
Primeiro, o nascimento não é mais um ato de celebração, não é um grande acontecimento na vida familiar... alias... algumas vezes, se quer há exatamente uma "família" (mas esse não é o ponto). O fato é que, de repente, gravidez inesperada, despreparada, desamparada ou indesejada e a pessoa "surge" e ponto.
Ai, ja vai logo se submeter a um breve porém duradouro processo de preparo ou de "cozimento" em que se vai induzindo-lhe desejos e demandas e temperando-lhe comportamentos para que o quanto antes (e o mais antes possível), possa estar no ponto para ser exposto na prateleira.
Ainda antes de chegar ao ponto certo, vai-se apresentando aquela pessoa, para olhos famintos, sendo servida num caldo de produtos químicos e impulsos elétricos e digitais, quase que num pós-cozimento, com fitas decorativas e presentes aos pés.
Então, consumo... como os insetos... como um marido de uma viuva negra. Ao mesmo tempo em que se consome, consome-se e é consumido. Como os flocos de um dente-de-leão sendo arrancados de seu talo pelo vendo, num duplo apogeu de reprodução e desfazimento.
Por fim... se morrem ou nao, é irrelevante, na sua maioria, sao esquecidos ou condenado ao esquecimento. E mesmo quando assim não o são, acaba-se por sentir-se impedidos de voltar àquela "vida" passada de quem "vivia" como-se-não-houvesse-amanha, preso a um hoje que, como vida, de tanto que se cozinhou, não existe...
E instala-se um surgir-cozer-consumir-esquecer...