"medo de espelhos e coitos..."
Alguns dizem que a noite todos os gatos são pardos... talvez fosse mais factível dizer que na noite todos os sóbrios são insanos.
Festa em casa afastada, com um monte de gente, mas não se reconhece ninguém. Sensação de claustrofobia em espaço aberto, de aperto extrovertido, de falta de um terreno seguro, de que a qualquer momento acontecerá algo inesperado.
Entra, passa por uma porta, percorre-se umas paredes e a obviedade não lhe faz muito sentido. Ignora-se todas as conclusões que a razão insiste em apresentar.
A angustia prevalece onde a monotonia do silencio se confunde com a homogeneidade do barulho.... busca-se um ritmo, uma batida... que mova o corpo, que ocupe a mente e que sirva de alicerce para o que não se sustenta estaticamente em pé.
Para na fila do banheiro e toma um tapa de filosofia noturna: olha no espelho e escuta um ebrio balbuciando algumas certezas - que certamente possuía um sentido maior, um contexto longamente apresentado - e tudo o que se ouve é: "tenho medo de espelhos e coitos! Pois eles multiplicam o ser humano".
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