:: entre a cruz a manguaça e a insignificância universal ::


Jesus sendo crucificado e eu aqui... de ressaca. Acho que no fim das contas, é uma forma pessoal e cotidiana de experimentar a via crucis.

Dominar o fluxo do tempo é como a fuga de Papilon, é tudo sobre paciência e observação, sobre como perceber o comportamento das correntes para, um dia, aproveitar uma janela de confluência e navegar para longe das paredes de pedra que lhe aprisionam.
No fundo, toda a existência humana é um sonho de cenobitas, é a vida num corpo transpassado por cordas puxadas por forças que nos empurram, ininterruptívelmente, por entre o tempo, através das décadas, rasgando o tecido temporal e, com ele, desgastando-nos até que este corpo sucumba à sua própria limitação química e, neste momento-instante de colapso, toda a energia que lhe navega se desfaz, liberando as inúmeras cordas que retornam a seu repouso universal... ao menos, até que outro louco resolva cavalga-las.

Não adianta olhar para o futuro, querendo entende-lo se vc não enxerga o próprio passado. Teus oráculos só te revelarão o que vc é.
Não adianta querer esperar que o tempo lhe transforme o futuro e lhe mude a vida. Toda a existência humana se limita a experimentar o percorrer do caminho e não o destino final, (até pq, o único futuro certo que todos temos é sabe o nosso final).

E até lá, vou harmonizar chocolate belga com vinho de colheita tardia e tentar encurtar o meu caminho até a ressurreição.

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