Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida de forma diferente
Às vezes me pergunto: Malditos ou inocentes?"
Velórios não são feitos para os mortos, mas sim, para os vivos.
Da mesma forma, esse texto não é para quem morreu, é para os que ficaram, que se lembram de alguém que não se esquece.
Era um funeral incomum. Fim de tarde, não houve velório e a familia não estava lá, apenas os amigos. Enterrar um amigo é o mais próximo que consigo chegar de enterrar a mim mesmo. Ultimamente isso tem sido comum pra mim... a maioria das pessoas enterra parentes velhos, eu enterro amigos... acidentados, assassinados, suicidas.
Nada mais simples e objetivo do que uma faca no coração.
Era um fim de tarde, um crepúsculo de uma vida. O céu tinha poucas nuvens, muita poeira no ar, um vermelho característico do por-do-sol de Brasília. Se eu pudesse escolher um céu para ser enterrado seria aquele.
O enterro foi num lado escuro do cemitério, logo que o sol se pois veio a escuridão, com ela, algumas lágrimas dos amigos mais próximos. Sim... era um enterro incomum em que as mulheres choraram de forma discreta. O finado também era uma pessoa incomum, alguém de poucos mas bons amigos, não tão fortes para conterem as lágrimas.
Essa é uma curiosidade que nunca vai morrer: o dia da minha morte. A maldição do Cyclope me afeta de forma diferente. Acho que nunca saberei se terei um velório, quem irá me enterrar.
Tantas teorias perdidas embaixo de sete palmos de terra, tantas conversas de bar que se foram e que nunca mais virão... alguns livros que não serão publicados.
Meu bom amigo, tua memória permanecerá... descansai, esteja onde estiver.
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