"You became the light on the dark side of me.
Love remained a drug that's the high and not the pill.
But did you know,
That when it snows,
My eyes become large and
The light that you shine can be seen."

:: Poema de amor em dia amargo ::

E foi nessas andanças que descobri que te amava como poucas vezes fui capaz de amar.
Há muito tempo que te amo como se não houvesse distância.
Mas só agora é que te amo como se não houvesse amanha,
como se o tempo definhasse ante tua presença.

Tem horas que o amor é tanto que dói.
Dói de egoísmo, de vaidade, de se infantilizar.

E querer ter como se nunca ninguém tivesse tido,
Fazer de duas uma só vida como se nenhuma delas já tivesse sido vivida.
Sofrer pelas promessas que você nunca fez e descumpriu...
por cada beijo que deu e que outros também deram.

Se culpar pela atenção dividida, pela hora perdida,
por não estar la quando ninguém lá estava.
Se sentir como quem não sabe se ama a "tabacaria do outro lado da rua"
ou os sonhos "como coisa real por dentro".

E é no meio desses paradoxos que se pode olhar com clareza dentro do peito
enxergar o próprio espirito e perceber o quão só ele está la dentro.

Talvez seja este o preço a se pagar por algo tão raro e tão valioso.

Mas a mão que sente afasta o sofrimento. Cura a minha alma que te quer.
Te amar e te fazer feliz, como se fosse o último.
Te querer bem, tão intensamente quanto o meu sol e a sua chuva.

E lembrar dos ritmos que vivemos, dos jogos que jogamos,
dos olhares que trocamos e que nuca mais esquecerei.

Sabendo que do pior que há em minhas sombras, não há um tom de cinza que sobreviva,
aos teus olhos celestes, nem rispidez que não sucumba ao contágio do teu carinho.

Será sempre um amor imortal, que ocupará o peito enquanto o coração bater
e assombrará a alma mesmo depois que o coração ressecar.




"There is something
in your eyes
flowing them over
stealing all the harmony
which lives in me
your hands are covering my tears"



:: Santos não lhe salvarão de ti mesma ::


Eu sonho, tu sonhas, todos sonhamos... mas tu sonhaste mais.
No auge da tua graça, você era imbatível.
A beleza do teu futuro iluminava o teu presente ao ponto de fazer gravitar em torno de ti todos os sonhadores.
Teu sonho de futuro, teu projeto de si, tuas pretensões, eram o farol que fazia atrair até o mais remoto vaga-lume

O auge da tua graça, o ápice do teu brilho, voo de gaivota nos ares de viola enluarada.
Mas a vida nem sempre comunga dos nossos sonhos,
a força do pensamento nem sempre dobra o rumo que a vida resolve seguir.

E antes que se de conta, o tempo e a idade lhe impõe a certeza da que aquele projeto não se realizou.
E fica o clarão do brilho que se apagou, que o tempo deixou marcado na nua estória de tua vida.
Impondo-lhe teu cotidiano, cujo sabor se perde num paladar ofuscado por um brilho que não existe mais.

Um brilho que nunca existiu, um projeto não realizado, um futuro não edificado,
uma ideia de vida que de tão forte, enquanto era apenas ideia, fez-se realidade ao ponto de poder ser antevivida
Ao ponto de se poder aproveitar... de se saborear, com todos os sentidos, aquele simulacro de epifania, agora, moribunda.

Tropeçada na idiossincrasia das rotas do acaso, teu projeto foi abortado
Perdido no labirinto de caminhos, tomou a rota do esquecimento.
A grandiosidade daquilo que sonharas em ser, restará encerrada dentro de ti,
Guardaras pra ti o mais poderoso segredo, cujo absoluto sigilo encerra-se na redundância de sua nunca-realização.

E perde-se...
como a força da luz da mais bela estrela de outrora,
a força daquele não-brilho lhe comprime, fazendo-lhe redobrar-se dentro de si,
lhe colapsa as estruturas de teus próprios sentimentos,
Encerrando-lhe no fundo de algo que, de tão escuro, é capaz de tragar qualquer raio de claridade que lhe tangencie.

- Dor da metamorfose da estrela em buraco-negro -

"There's a sort
of inner dance
trying to seduce me
feeling this anomaly
which takes me"
:: entre a cruz a manguaça e a insignificância universal ::


Jesus sendo crucificado e eu aqui... de ressaca. Acho que no fim das contas, é uma forma pessoal e cotidiana de experimentar a via crucis.

Dominar o fluxo do tempo é como a fuga de Papilon, é tudo sobre paciência e observação, sobre como perceber o comportamento das correntes para, um dia, aproveitar uma janela de confluência e navegar para longe das paredes de pedra que lhe aprisionam.
No fundo, toda a existência humana é um sonho de cenobitas, é a vida num corpo transpassado por cordas puxadas por forças que nos empurram, ininterruptívelmente, por entre o tempo, através das décadas, rasgando o tecido temporal e, com ele, desgastando-nos até que este corpo sucumba à sua própria limitação química e, neste momento-instante de colapso, toda a energia que lhe navega se desfaz, liberando as inúmeras cordas que retornam a seu repouso universal... ao menos, até que outro louco resolva cavalga-las.

Não adianta olhar para o futuro, querendo entende-lo se vc não enxerga o próprio passado. Teus oráculos só te revelarão o que vc é.
Não adianta querer esperar que o tempo lhe transforme o futuro e lhe mude a vida. Toda a existência humana se limita a experimentar o percorrer do caminho e não o destino final, (até pq, o único futuro certo que todos temos é sabe o nosso final).

E até lá, vou harmonizar chocolate belga com vinho de colheita tardia e tentar encurtar o meu caminho até a ressurreição.
Os inimigos que combati, vi sucumbirem no caminho. Sucumbiram pela ação das intemperes, mas se foram com o passar do tempo, lentamente, como se vai a duna pela ação da briza.
Eu mesmo muito pouco conquistei, mas de uma forma ou de outra meus objetivos me alcançaram.

Na tormenta da vida cotidiana os ventos que me jogaram contra a costa deterioraram as pedras que la me esperavam e no fim, restou apenas eu inútil na imensidão.

E eis que coube a mim, arauto de um grito mudo, cavalgar a tempestade.
Excitement: much more about Desire than Satisfaction