Os inimigos que combati, vi sucumbirem no caminho. Sucumbiram pela ação das intemperes, mas se foram com o passar do tempo, lentamente, como se vai a duna pela ação da briza.
Eu mesmo muito pouco conquistei, mas de uma forma ou de outra meus objetivos me alcançaram.
Na tormenta da vida cotidiana os ventos que me jogaram contra a costa deterioraram as pedras que la me esperavam e no fim, restou apenas eu inútil na imensidão.
E eis que coube a mim, arauto de um grito mudo, cavalgar a tempestade.
"medo de espelhos e coitos..."
Alguns dizem que a noite todos os gatos são pardos... talvez fosse mais factível dizer que na noite todos os sóbrios são insanos.
Festa em casa afastada, com um monte de gente, mas não se reconhece ninguém. Sensação de claustrofobia em espaço aberto, de aperto extrovertido, de falta de um terreno seguro, de que a qualquer momento acontecerá algo inesperado.
Entra, passa por uma porta, percorre-se umas paredes e a obviedade não lhe faz muito sentido. Ignora-se todas as conclusões que a razão insiste em apresentar.
A angustia prevalece onde a monotonia do silencio se confunde com a homogeneidade do barulho.... busca-se um ritmo, uma batida... que mova o corpo, que ocupe a mente e que sirva de alicerce para o que não se sustenta estaticamente em pé.
Para na fila do banheiro e toma um tapa de filosofia noturna: olha no espelho e escuta um ebrio balbuciando algumas certezas - que certamente possuía um sentido maior, um contexto longamente apresentado - e tudo o que se ouve é: "tenho medo de espelhos e coitos! Pois eles multiplicam o ser humano".
Alguns dizem que a noite todos os gatos são pardos... talvez fosse mais factível dizer que na noite todos os sóbrios são insanos.
Festa em casa afastada, com um monte de gente, mas não se reconhece ninguém. Sensação de claustrofobia em espaço aberto, de aperto extrovertido, de falta de um terreno seguro, de que a qualquer momento acontecerá algo inesperado.
Entra, passa por uma porta, percorre-se umas paredes e a obviedade não lhe faz muito sentido. Ignora-se todas as conclusões que a razão insiste em apresentar.
A angustia prevalece onde a monotonia do silencio se confunde com a homogeneidade do barulho.... busca-se um ritmo, uma batida... que mova o corpo, que ocupe a mente e que sirva de alicerce para o que não se sustenta estaticamente em pé.
Para na fila do banheiro e toma um tapa de filosofia noturna: olha no espelho e escuta um ebrio balbuciando algumas certezas - que certamente possuía um sentido maior, um contexto longamente apresentado - e tudo o que se ouve é: "tenho medo de espelhos e coitos! Pois eles multiplicam o ser humano".
:: Requiem for a dreamer ::
"Meus bons amigos, onde estão
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida de forma diferente
Às vezes me pergunto: Malditos ou inocentes?"
Velórios não são feitos para os mortos, mas sim, para os vivos.
Da mesma forma, esse texto não é para quem morreu, é para os que ficaram, que se lembram de alguém que não se esquece.
Era um funeral incomum. Fim de tarde, não houve velório e a familia não estava lá, apenas os amigos. Enterrar um amigo é o mais próximo que consigo chegar de enterrar a mim mesmo. Ultimamente isso tem sido comum pra mim... a maioria das pessoas enterra parentes velhos, eu enterro amigos... acidentados, assassinados, suicidas.
Nada mais simples e objetivo do que uma faca no coração.
Era um fim de tarde, um crepúsculo de uma vida. O céu tinha poucas nuvens, muita poeira no ar, um vermelho característico do por-do-sol de Brasília. Se eu pudesse escolher um céu para ser enterrado seria aquele.
O enterro foi num lado escuro do cemitério, logo que o sol se pois veio a escuridão, com ela, algumas lágrimas dos amigos mais próximos. Sim... era um enterro incomum em que as mulheres choraram de forma discreta. O finado também era uma pessoa incomum, alguém de poucos mas bons amigos, não tão fortes para conterem as lágrimas.
Essa é uma curiosidade que nunca vai morrer: o dia da minha morte. A maldição do Cyclope me afeta de forma diferente. Acho que nunca saberei se terei um velório, quem irá me enterrar.
Tantas teorias perdidas embaixo de sete palmos de terra, tantas conversas de bar que se foram e que nunca mais virão... alguns livros que não serão publicados.
Meu bom amigo, tua memória permanecerá... descansai, esteja onde estiver.
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida de forma diferente
Às vezes me pergunto: Malditos ou inocentes?"
Velórios não são feitos para os mortos, mas sim, para os vivos.
Da mesma forma, esse texto não é para quem morreu, é para os que ficaram, que se lembram de alguém que não se esquece.
Era um funeral incomum. Fim de tarde, não houve velório e a familia não estava lá, apenas os amigos. Enterrar um amigo é o mais próximo que consigo chegar de enterrar a mim mesmo. Ultimamente isso tem sido comum pra mim... a maioria das pessoas enterra parentes velhos, eu enterro amigos... acidentados, assassinados, suicidas.
Nada mais simples e objetivo do que uma faca no coração.
Era um fim de tarde, um crepúsculo de uma vida. O céu tinha poucas nuvens, muita poeira no ar, um vermelho característico do por-do-sol de Brasília. Se eu pudesse escolher um céu para ser enterrado seria aquele.
O enterro foi num lado escuro do cemitério, logo que o sol se pois veio a escuridão, com ela, algumas lágrimas dos amigos mais próximos. Sim... era um enterro incomum em que as mulheres choraram de forma discreta. O finado também era uma pessoa incomum, alguém de poucos mas bons amigos, não tão fortes para conterem as lágrimas.
Essa é uma curiosidade que nunca vai morrer: o dia da minha morte. A maldição do Cyclope me afeta de forma diferente. Acho que nunca saberei se terei um velório, quem irá me enterrar.
Tantas teorias perdidas embaixo de sete palmos de terra, tantas conversas de bar que se foram e que nunca mais virão... alguns livros que não serão publicados.
Meu bom amigo, tua memória permanecerá... descansai, esteja onde estiver.
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