:: Requiem for a dreamer ::

"Meus bons amigos, onde estão
Notícias de todos quero saber
Cada um fez sua vida de forma diferente
Às vezes me pergunto: Malditos ou inocentes?
"


Velórios não são feitos para os mortos, mas sim, para os vivos.
Da mesma forma, esse texto não é para quem morreu, é para os que ficaram, que se lembram de alguém que não se esquece.

Era um funeral incomum. Fim de tarde, não houve velório e a familia não estava lá, apenas os amigos. Enterrar um amigo é o mais próximo que consigo chegar de enterrar a mim mesmo. Ultimamente isso tem sido comum pra mim... a maioria das pessoas enterra parentes velhos, eu enterro amigos... acidentados, assassinados, suicidas.
Nada mais simples e objetivo do que uma faca no coração.

Era um fim de tarde, um crepúsculo de uma vida. O céu tinha poucas nuvens, muita poeira no ar, um vermelho característico do por-do-sol de Brasília. Se eu pudesse escolher um céu para ser enterrado seria aquele.

O enterro foi num lado escuro do cemitério, logo que o sol se pois veio a escuridão, com ela, algumas lágrimas dos amigos mais próximos. Sim... era um enterro incomum em que as mulheres choraram de forma discreta. O finado também era uma pessoa incomum, alguém de poucos mas bons amigos, não tão fortes para conterem as lágrimas.

Essa é uma curiosidade que nunca vai morrer: o dia da minha morte. A maldição do Cyclope me afeta de forma diferente. Acho que nunca saberei se terei um velório, quem irá me enterrar.

Tantas teorias perdidas embaixo de sete palmos de terra, tantas conversas de bar que se foram e que nunca mais virão... alguns livros que não serão publicados.

Meu bom amigo, tua memória permanecerá... descansai, esteja onde estiver.
"When summer's gone and winter's past
It seems like a neverending way
And thinking of what I have to say
It seems like a neverending way"


:: Pos-Moderno não é sci-fi ::

Um belo dia resolvi escrever um artigo que tratava do viés da rede no processo decisório democratico. Democracia eletrônica e essas coisas...
Era pra um grupo de pesquisa desses ai la de fora, de universidades que tem dinheiro sobrando, que são competentes em fazer e executar projetos, mas que são pesquisadores extremamente ineficientes.
Bem... la no meio do trabalho falei de compressão espaço-temporal.
Nem precisa dizer que o artigo foi rejeitado... heeh... mas o que me chamou mais a atenção foi o fato de um dos revisores ter comentado que eu estava usando termos de ficção cientifica, a final, que relação com a realidade teria um artigo que fala do enviesamento de votos colhidos por internet e, nisso, trata de compressão do espaço-tempo?
Pois é... tem coisas que realmente me fazer achar que não vale a pena perder tempo explicando coisas que não serão entendidas... deixa eu ser mais claro aqui... eu escrevi coisas obvias (complicadas mas obvias) para serem lidas pelos melhores especialistas no mundo sobre o tema... e, pior do que eles nao concordarem com meus argumentos, eles se quer tinham arcabouço conceitual para entender o que eu tava dizendo.

Por fim... redescobri um conceito que tem me agradado ultimamente, eu gostava da ideia de ser anti-social, mas no fundo, eu nao era exatamente anti-social, eu gosto de ver pessoas, o que me incomoda é a interação... ai que, redescobri a misantropia como auto-definição.

Saludos a los que se quedam alejos de estos canteros
"Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut"


:: Troco posts por comida ::
(e tmb explico pra que serve um nerd)

Viemos eu, meu gravador e meu blog moribundo, acompanhar o Campus Party em Sampa.
De imediato, tudo parece uma salada de multiculturalismo, um simulacro de diversidade legitimosa. Na abertura tivemos um "robo" que fala português com sotaque, um músico que depois transvirou-se em ministro, uma mesa que tem sons e cores, e uma bateria de escola de samba como plumas-pra-espanhol-ver na cabeça.

Deixando de ser antropologo e voltando a ser sociologo...

Cheguei à conclusão que o evento todo é uma grande navegação-em-carne-e-osso na internet. Se alguém tinha alguma duvida de que a rede era feita por pessoas, agora não tem mais.
E assim como na Internet, o fenômeno mais marcante do evento é o ruido no canal de comunicação. Qualquer canal... se parar pra conversar com alguem, se parar pra ouvir uma palestra, vai haver barulhos e ruídos e etc ao fundo, todo o tempo e o tempo todo.
Convicto de que estou imerso no ciberespaço-não-virtual, sai para "navegar" pelos "sitios" dos diferentes temas do evento (desenvolvimento, games, modding, astronomia, etc) para tentar comprovar minha tese.
Logo, me deparei com uma palestra que não era palestra, mas sim, propaganda. Segui minha navegação para dar de cara com uma oficina interessantíssima, e, no meio dela, pelas caixas de som, a publicidade conclamava aos interessados para participarem de um campeonato de jogos.
Segui pelo hiperlink e cai num "sitio" de simulação de guerra e quando decide migrar para outro site com outro conteúdo, eis que "pop-up!" e dou de cara com um inesperado "Abraços Grátis" que perambula pelo espaço ciber-real.
E lógico... como era de se esperar, enquanto "navego" vou recebendo "mensagens instantâneas" dos amigos que encontro, seja na conversa rápida do tipo "ei, vai começar o debate com o Marcelo Taz" ou pelo telão que tem no "sitio" do Campus Blog, ou um SMS que chega pelo Celular.
E assim como quando um bom site é DEScontinuado por motivos que vc nunca vai saber, a DESconferencia DESdesapareceu... eu clico nos links que pensei que pudessem me levar lá, ou seja, falo com as pessoas que estavam na reunião do BarCamp de segunda... e ninguém me leva a lugar nenhum.
E tudo isso com musica ao fundo, má iluminação, invadindo o horário de sono e de almoço, num ambiente que me faz lembrar um mega-portal, onde todos tem que "logar" para entrar (alias... a página de login tava dando lag na segunda-feira), e cujo acesso é determinado pelo nível do usuário... se vc tem um "P" Azul, vc entra, se vc tem um "P" Amarelo vc come, se vc tem um "C" vc fala no microfone, e se vc tem um "O" preto, ou vc corre, ou fuma enquanto reclama em castelhano!... só não achei ainda o site do tradutor on-line, mas td bem... o "robo" da abertura tmb não achou, então eu não sou o único.

De resto, me resta perguntar: depois de censurarem o YouTube no backbone, ilegalizarem o P2P, censurarem a venda do CS.. ninguem vai propor NENHUMA AÇÃO POLÍTICA?

"Tu sabes,
conheces melhor do que eu a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
"
:: Bloody Mary Gasolina ::

Alguma vez vc ja amou a perfeição ao ponto de querer-la infinitamente e, ao mesmo tempo, temer ter-la perto e com isso, deixar seus defeitos corroerem aquilo que tanto ama?

Velho dilema, velha ambiguidade...mas fica pra outra hora.

Que falta me fazem pessoas que me instiguem...

Ontem foi carnaval... hj tmb e amanha ainda será...
Ontem eu vi a noite virar dia, eu vi um velório virar festa (sim...) e vi uma festa virar velório.
As vezes parece que vemos coisas de mais... as vezes parece que tudo faz parte de ti que faz parte de tudo que nao faz o menor sentido.

Pior nao é aquele que teme por inseguro que é,
Pior sofrimento é o de quem realiza que o erro é uma conseqüência lógica de tudo o que esta posto, do encadeamento dos fatos, e que mesmo antevendo o resultado, não há nada que se possa fazer para mudar o fato fundamental de que o erro é produto da essência, da mesma essência que se ama, se idealiza... tudo, redundando na máxima óbvia, de que o amor e o ódio são dois gumes de uma mesma faca, duas faces de uma mesma moeda, redundando na inevitabilidade da constatação de que a amada essência idealizada é mera ilusão.

Queria eu poder sofrer até morrer de amor... mas o tempo e a existência me fizeram entender que se é pra ter algo que me corroa por dentro em longa agonia e me leve a morte, será cirrose.

As vezes eu acho que Fernando Pessoa escreveu um poema só, com vários textos diferentes, e eu é que não consigo interpretar a plenitude inesgotável de cada um.

Ontem eu tomei um Bloody Mary que tinha gosto de gasolina, acho que afetou pobres neurônios meus de alguma forma...

...pessoas que me impressionem, pessoas que me inspirem...

"Alcool não tem gosto de gasolina" diria o frentista atento
:: Feliz Ano Novo à todos ::


Céu se abrindo após a tempestade
Cheiro de agua depois da chuva de verão
Noite estrelada após dia seco de sol forte
Cheiro da manhã depois da noite mal dormida (mas bem aproveitada).
Sol nascendo depois da madrugada

Quando uma imagem vale mais que mil palavras

Quando o sentido da vida parece ser sobreviver para deleitar-se na beleza da simplicidade do imediatamente depois.