Num surto anti-social, com meus olhos ja meio embotados, fiz um posto ridiculo sobre uma folha seca que descobre que todas as flores apodrecem... um dia eu esmerilho ele e tento ver se tiro algo que presta de la, até la, resolvi postar um scrap de orkut que fico aqui estocado para essas horas de nada pra escrever.

"as grades do condomínio são para trazer proteção
mas também trazem a dúvida se não é você que está nessa prisão
me abrace e me dê um beijo
faça um filho comigo
mas não me deixe sentar na poltrona no dia de domingo
procurando novas drogas de aluguel
nesse vídeo coagido pela paz"

:: Scrap àlguem do orkut ::

Assim... não q vc tenha a mesma opinião, nem que eu tenha qualquer má impressao de voce, alias, ja antecipo que, até onde me consta, nao nos conhecemos.
Também, ja me justificando, dizem que tenho uma cabeça que nao bate muito bem com a media (seja isso bom ou ruim).
Mas, sabe aquela musica do rappa que fala "Valeu a pena... valeu a pena, sou pescador de ilusoes... sou pescador de ilusoes", pois bem, sabe que eu sempre pensei na ideia como algo pejorativo?
Tipo... a propria letra da musica (que é muito bonita por sinal) sempre me remeteu à ideia de alguem que se mascara, que fica de longe calculando o movimento de uma preza que nada livre pelo infinito e que, na hora certa, se apresenta enquanto isca, uma isca que ilude sua preza, arrancando-lhe de seu meio, para, por fim, devorar-lhe o que tem de melhor deixando a preza despida de sonhos e ilusões, reduzida aos seus restos mais carnais, a pedaços nao digeridos de coisas mundanas menos importantes.
Novamente, não digo que esta minha ideia tenha algo a ver com vossa senhoria.
É apenas minha ideia quanto a uma musica que imortalizou e expressão "pescador de ilusoes"
Depois disso, se nao quiser dizer-me mais nada, entenderei.
"You and me have a disease,
You affect me, you infect me,
Im afflicted, youre addicted,
You and me, you and me

(...)

You and me, you and me,
I want to tie you, crucify you,
Kneel before you, revile your body,
You and me, were made in heaven,
I want to take you, I want to break you,
Supplicate you, are incurable,
I want to bathe you in holy water I want to kill you,
Upon the alter, you and me, you and me"


:: Obsessão pelo outro-em-si Ou fenomenologia de uma realidade sonhada ::

Te viu e logo soube que era especial. Rapidamente lhe fascinou e se fascinou. E decidiu se aproximar, como um apostolo, para absorver-te todos os detalhes que a cada dia se revelavam mais perfeitos. Na angustia de não deixar esvair cada um deles, passou a colecionar cada registro, cada migalha de momento unicamente especial. Em metafisica, em memória, em sonho, ou em concreto, tijolo por tijolo, edificou um pequeno santuário e, fascinado pela beleza ali contida, divinizou a fonte de impressionante natureza, elevando-te à condiçao de gaia, deusa mae de toda a harmonia e beleza ali, meticulosamente compilada.
Tua imagem no altar, cultuou como antigos membros de uma seita proibida. Teu comportamento, apenas as partes perfeitas, codificou como verdades e axiomas, tua realidade, se esqueceu, se desprendeu, teus erros eram humanos de mais e, como argumentos hereges, foram um a um descartados e esquecidos no arder da fogueira da memória.
Edificou a igreja deontológica do teu ser, e ali, era o representante e unico interprete de ti autorizado a determinar a hermeneutica da interpretaçao de cada uma de tuas contradiçoes. E, a este estudo, dedicou uma fraçao de eternidade.

Um aeon após, se viu incapaz de dar conta do paradoxo de você, como coisa real humana, e da igreja de ti, como verdade metafisica.
E depois da sagaz disputa entre fatos e fé, se deu por vencido, se fez convencido de tua humana natureza. Se viu privado de um tempo perdido em um fato atacado por argumentos lascivos que em ti encontravam ampla guarida. Se viu enganado pela própria fé.
Destituido de crenças, deu espaço a razão e a ciencia, e após longo estudo de cada erro, de cada perfeiçao enviesada, percebeu o descompasso entre a realidade presente e cada fraçao de perfeiçao aparente, ali congelada em memorias decadentes do que outrora existia em ti.
Decidiu, a partir de entao, negar qualquer fé, crença ou religião, convertendo a igreja de ti, em museu de si mesmo e, como quem fecha um velho album de fotos, dali desapareceu.

"Este adiós no maquilla un hasta luego
este nunca no esconde un ojala
esta ceniza no juega con fuego
esta ciego no mira para atrás.

A este ruido tan huérfano de padre
no voy a permitirle que taladre
un corazón podrido de latir

este pez ya no muere por tu boca
este loco se va con otra loca
estos ojos no lloran más por ti"


em vez de traduzir, vai um glossario: ojala=oxala/tomara, ceniza=cinza, taladre=prefurar com furadeira ou broca, podrido=apodrecido.

:: Post - Scriptum OU naotenteabraçaromundocomaspernas ::

O texto abaixo nao é meu, mas segue, acho pertinente e aplicavel.

"não saia por aí culpando os outros porque eles não corresponderam às suas expectativas. as expectativas são suas. E, se em nenhum momento o outro prometereu corresponder, a culpa é toda sua.
(...)
Daí você reflete, analisa toda a situação, os prós, os contras, todos os seus conceitos sobre o que é amor e percebe que o príncipe encantado não passa de uma visão adolescente de "Romeu & Julieta", que realmente é linda, mas dentro do universo Shakespeareriano. Depois entra numa fase neurótica que consiste em achar que o mundo é um grande brejo e você está atolado nele até os joelhos. Começa a ficar cética e passa a criar situações bizarras que vão desde um auto-isolamento-feminista-xiíta até um pseudolesbianismo, que no fundo tem o mesmo contexto: Todo homem é um merda e o amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas."
Autor Desconhecido (mas se vc conhecer, favor informar!)
"Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais."

"Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser..."

"Já não me importo
Até com o que amo ou creio amar.
Sou um navio que chegou a um porto
E cujo movimento é ali estar."

"Nada me resta
Do que quis ou achei.
Cheguei da festa
Como fui para lá ou ainda irei"

"Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro."


:: A vida caminha pela força das palavras que não são ditas ::

Tem gente que fala as coisas... mas muitas das coisas que a gente fala, não são escutadas, não são entendidas ou não se quer nem entender nem escutar.
Talvez o silencio gere menos espectativa. Cai-se na realidade da desemperança ou na lucidez de quem não tem mais nada a perder, e cala-se silente.
As palavras como pensamento e sentimento se faz verbo e do verbo faz-se o ato, retrato ou contato. Mas se a palavra não tem poder de transformar, peder-se o sentido em se prolatar pensamento ou sentimento cuja relevancia se reduza, seja pelo descaso, seja pela ignorância, ao mero reverberar do ar.
Uma palavra nunca é só uma palavra, em seus momentos mais grandiosos, pode ser ato de concentração de uma energia psiquica capaz de matar ou morrer.
Aquilo que nao se fala, se alimenta, te impulsiona, e digerindo-se, digere-te, movendo-te para dentro de si mesmo ou impulsionando te pra fora de si.

E o mundo caminha com a força das palavras que não são ditas
:: Mais humanidades que Cristo... ao pé de uma parede ::

O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,


Sabe, é que ha aquela eterna inconcistencia da etérea substancia das criaturas de hoje em dia.
Nao sei por que, mas desde que as aparecias vêm prevalecendo, as pessoas tendem a se entregar pelos valores mais insignificantes, para os grileiros das piores estirpes.
Sofrimento nao é ver alguem que nao vale nada (e tanta gente nao anda merecendo nem o espaço que tem garantido no obituário), o sofrimento mais humano é ver alguem que ainda valhe alguma coisa, se vendendo a um valor insignificantemente irrisório.
Ora, vender-se ja seria sofrivel... dar-se como quem nao vale mais do que qualquer outro vendido... revela as piores práticas éticas (e um pessimo senso de mercado).
É como ver ilhas de esperança escolhendo mergulhar no mais profundo abismo valoral.
Nao, desculpa, nao gosto das criaturas humanas de hoje em dia... a mediocridade de todos é como um vírus que contamina a cada um cujo sistema imunológico se encontre em baixa. Mais! é como um toque de Midas, cada um que sucumbe a seus disparates se volve com o brilho do ouro em sua volta, e com o conteudo mental de um sanitário publico dos mais bem frequentados em seu interior.
O fato nao é o efeito ja sabido das diversas tentaçoes... o fato é a renovada perda de esperança na incessante sucumbencia cotidiana de novos e novos adeptos que se deixam converter-se no que ha de pior, no que é mais humanamente normal, e, antiteticamente, menos humano.
Mas mesmo assim... sigo tomado de surpresas para cada um que sucumbe à estetizaçao de todo o resto.
Tanta coisa pra escrever e na hora nao me vem nada de util pra falar.
Mais um poema mal escrito... esse é pouca coisa mais recente e conta com inspirações de Sabina. Pensei em nao publicar mas como nao me veio nada de mais util pra falar por aqui, vai ele mesmo... se quiser deixar só um oi de comentario eu vou entender.

Ela lhe pediu que a levasse ao fim do mundo.
Ele batizeu com seu nome cada lua que nascia.
E se olharam um segundo... como dois desconhecidos.

Ele a acompanharia até os portais do inferno se, assim ela quisesse.
E a resgataria de la, quando ela necessitasse.

Em troca só o que sempre se espera... sinceridade e respeito.
Nunca lhe pedira nada em troca...
mas mesmo assim, o unico pedido lhe fora negado.

Tantas vezes se perderam...
e agora estavam irremediavelmente perdidos.
Como as folhas que o vento leva e nao traz mais
Cada um à sua sorte...

Ficou ali onde o vento deixou.
Respirou profundamente como quem ja nao lembrava mais do chero da vida.
Levantou-se, arrumou-se e encarou o dia...
fugindo da noite que ficara pra traz, erguia a cabeça e buscava forças.
Como um escultor que olha para a pedra natural,
Olhava para o dia buscando o ponto certo para recomeçar do zero.