"You and me have a disease,
You affect me, you infect me,
Im afflicted, youre addicted,
You and me, you and me

(...)

You and me, you and me,
I want to tie you, crucify you,
Kneel before you, revile your body,
You and me, were made in heaven,
I want to take you, I want to break you,
Supplicate you, are incurable,
I want to bathe you in holy water I want to kill you,
Upon the alter, you and me, you and me"


:: Obsessão pelo outro-em-si Ou fenomenologia de uma realidade sonhada ::

Te viu e logo soube que era especial. Rapidamente lhe fascinou e se fascinou. E decidiu se aproximar, como um apostolo, para absorver-te todos os detalhes que a cada dia se revelavam mais perfeitos. Na angustia de não deixar esvair cada um deles, passou a colecionar cada registro, cada migalha de momento unicamente especial. Em metafisica, em memória, em sonho, ou em concreto, tijolo por tijolo, edificou um pequeno santuário e, fascinado pela beleza ali contida, divinizou a fonte de impressionante natureza, elevando-te à condiçao de gaia, deusa mae de toda a harmonia e beleza ali, meticulosamente compilada.
Tua imagem no altar, cultuou como antigos membros de uma seita proibida. Teu comportamento, apenas as partes perfeitas, codificou como verdades e axiomas, tua realidade, se esqueceu, se desprendeu, teus erros eram humanos de mais e, como argumentos hereges, foram um a um descartados e esquecidos no arder da fogueira da memória.
Edificou a igreja deontológica do teu ser, e ali, era o representante e unico interprete de ti autorizado a determinar a hermeneutica da interpretaçao de cada uma de tuas contradiçoes. E, a este estudo, dedicou uma fraçao de eternidade.

Um aeon após, se viu incapaz de dar conta do paradoxo de você, como coisa real humana, e da igreja de ti, como verdade metafisica.
E depois da sagaz disputa entre fatos e fé, se deu por vencido, se fez convencido de tua humana natureza. Se viu privado de um tempo perdido em um fato atacado por argumentos lascivos que em ti encontravam ampla guarida. Se viu enganado pela própria fé.
Destituido de crenças, deu espaço a razão e a ciencia, e após longo estudo de cada erro, de cada perfeiçao enviesada, percebeu o descompasso entre a realidade presente e cada fraçao de perfeiçao aparente, ali congelada em memorias decadentes do que outrora existia em ti.
Decidiu, a partir de entao, negar qualquer fé, crença ou religião, convertendo a igreja de ti, em museu de si mesmo e, como quem fecha um velho album de fotos, dali desapareceu.

"Este adiós no maquilla un hasta luego
este nunca no esconde un ojala
esta ceniza no juega con fuego
esta ciego no mira para atrás.

A este ruido tan huérfano de padre
no voy a permitirle que taladre
un corazón podrido de latir

este pez ya no muere por tu boca
este loco se va con otra loca
estos ojos no lloran más por ti"


em vez de traduzir, vai um glossario: ojala=oxala/tomara, ceniza=cinza, taladre=prefurar com furadeira ou broca, podrido=apodrecido.

:: Post - Scriptum OU naotenteabraçaromundocomaspernas ::

O texto abaixo nao é meu, mas segue, acho pertinente e aplicavel.

"não saia por aí culpando os outros porque eles não corresponderam às suas expectativas. as expectativas são suas. E, se em nenhum momento o outro prometereu corresponder, a culpa é toda sua.
(...)
Daí você reflete, analisa toda a situação, os prós, os contras, todos os seus conceitos sobre o que é amor e percebe que o príncipe encantado não passa de uma visão adolescente de "Romeu & Julieta", que realmente é linda, mas dentro do universo Shakespeareriano. Depois entra numa fase neurótica que consiste em achar que o mundo é um grande brejo e você está atolado nele até os joelhos. Começa a ficar cética e passa a criar situações bizarras que vão desde um auto-isolamento-feminista-xiíta até um pseudolesbianismo, que no fundo tem o mesmo contexto: Todo homem é um merda e o amor é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas."
Autor Desconhecido (mas se vc conhecer, favor informar!)

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