"Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes de Connecticut"


:: Troco posts por comida ::
(e tmb explico pra que serve um nerd)

Viemos eu, meu gravador e meu blog moribundo, acompanhar o Campus Party em Sampa.
De imediato, tudo parece uma salada de multiculturalismo, um simulacro de diversidade legitimosa. Na abertura tivemos um "robo" que fala português com sotaque, um músico que depois transvirou-se em ministro, uma mesa que tem sons e cores, e uma bateria de escola de samba como plumas-pra-espanhol-ver na cabeça.

Deixando de ser antropologo e voltando a ser sociologo...

Cheguei à conclusão que o evento todo é uma grande navegação-em-carne-e-osso na internet. Se alguém tinha alguma duvida de que a rede era feita por pessoas, agora não tem mais.
E assim como na Internet, o fenômeno mais marcante do evento é o ruido no canal de comunicação. Qualquer canal... se parar pra conversar com alguem, se parar pra ouvir uma palestra, vai haver barulhos e ruídos e etc ao fundo, todo o tempo e o tempo todo.
Convicto de que estou imerso no ciberespaço-não-virtual, sai para "navegar" pelos "sitios" dos diferentes temas do evento (desenvolvimento, games, modding, astronomia, etc) para tentar comprovar minha tese.
Logo, me deparei com uma palestra que não era palestra, mas sim, propaganda. Segui minha navegação para dar de cara com uma oficina interessantíssima, e, no meio dela, pelas caixas de som, a publicidade conclamava aos interessados para participarem de um campeonato de jogos.
Segui pelo hiperlink e cai num "sitio" de simulação de guerra e quando decide migrar para outro site com outro conteúdo, eis que "pop-up!" e dou de cara com um inesperado "Abraços Grátis" que perambula pelo espaço ciber-real.
E lógico... como era de se esperar, enquanto "navego" vou recebendo "mensagens instantâneas" dos amigos que encontro, seja na conversa rápida do tipo "ei, vai começar o debate com o Marcelo Taz" ou pelo telão que tem no "sitio" do Campus Blog, ou um SMS que chega pelo Celular.
E assim como quando um bom site é DEScontinuado por motivos que vc nunca vai saber, a DESconferencia DESdesapareceu... eu clico nos links que pensei que pudessem me levar lá, ou seja, falo com as pessoas que estavam na reunião do BarCamp de segunda... e ninguém me leva a lugar nenhum.
E tudo isso com musica ao fundo, má iluminação, invadindo o horário de sono e de almoço, num ambiente que me faz lembrar um mega-portal, onde todos tem que "logar" para entrar (alias... a página de login tava dando lag na segunda-feira), e cujo acesso é determinado pelo nível do usuário... se vc tem um "P" Azul, vc entra, se vc tem um "P" Amarelo vc come, se vc tem um "C" vc fala no microfone, e se vc tem um "O" preto, ou vc corre, ou fuma enquanto reclama em castelhano!... só não achei ainda o site do tradutor on-line, mas td bem... o "robo" da abertura tmb não achou, então eu não sou o único.

De resto, me resta perguntar: depois de censurarem o YouTube no backbone, ilegalizarem o P2P, censurarem a venda do CS.. ninguem vai propor NENHUMA AÇÃO POLÍTICA?

"Tu sabes,
conheces melhor do que eu a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
"
:: Bloody Mary Gasolina ::

Alguma vez vc ja amou a perfeição ao ponto de querer-la infinitamente e, ao mesmo tempo, temer ter-la perto e com isso, deixar seus defeitos corroerem aquilo que tanto ama?

Velho dilema, velha ambiguidade...mas fica pra outra hora.

Que falta me fazem pessoas que me instiguem...

Ontem foi carnaval... hj tmb e amanha ainda será...
Ontem eu vi a noite virar dia, eu vi um velório virar festa (sim...) e vi uma festa virar velório.
As vezes parece que vemos coisas de mais... as vezes parece que tudo faz parte de ti que faz parte de tudo que nao faz o menor sentido.

Pior nao é aquele que teme por inseguro que é,
Pior sofrimento é o de quem realiza que o erro é uma conseqüência lógica de tudo o que esta posto, do encadeamento dos fatos, e que mesmo antevendo o resultado, não há nada que se possa fazer para mudar o fato fundamental de que o erro é produto da essência, da mesma essência que se ama, se idealiza... tudo, redundando na máxima óbvia, de que o amor e o ódio são dois gumes de uma mesma faca, duas faces de uma mesma moeda, redundando na inevitabilidade da constatação de que a amada essência idealizada é mera ilusão.

Queria eu poder sofrer até morrer de amor... mas o tempo e a existência me fizeram entender que se é pra ter algo que me corroa por dentro em longa agonia e me leve a morte, será cirrose.

As vezes eu acho que Fernando Pessoa escreveu um poema só, com vários textos diferentes, e eu é que não consigo interpretar a plenitude inesgotável de cada um.

Ontem eu tomei um Bloody Mary que tinha gosto de gasolina, acho que afetou pobres neurônios meus de alguma forma...

...pessoas que me impressionem, pessoas que me inspirem...

"Alcool não tem gosto de gasolina" diria o frentista atento
:: Feliz Ano Novo à todos ::


Céu se abrindo após a tempestade
Cheiro de agua depois da chuva de verão
Noite estrelada após dia seco de sol forte
Cheiro da manhã depois da noite mal dormida (mas bem aproveitada).
Sol nascendo depois da madrugada

Quando uma imagem vale mais que mil palavras

Quando o sentido da vida parece ser sobreviver para deleitar-se na beleza da simplicidade do imediatamente depois.
Da mesma forma que existe uma Semana Santa, existe, no nosso calendário, uma Semana da Hipocrisia.
Nós, humanos, bipedes, latinos, ocidentais, e tupiniquins aprendemos essencialmente por mimetismo. Observamos o que as pessoas fazem e fazemos também.
No fim do ano, todo mundo fala que deseja felicidades, alegrias e tudo mais porque todo mundo fala que deseja essas coisas boas.
Copiamos o comportamento "falar" muitos esquecem que esse deveria resultar de um desejo sincero de melhoras. Copiamos atos desprendidos de suas razões e de seu significado.
O natal e o ano novo deveriam ser um tempo em que as pessoas refletem sobre o seu ano, avaliam o que se passou e, num processo casado de auto-critica e auto-conhecimento, tornam-se pessoas melhores.
Nosso natal, porém, é feito de peru pré-temperado, de presentes comprados para serem trocados no dia seguinte, de verbos que deveriam representar sentimentos, mas que, em sua maioria, se limitam a pequenez da palavra vazia de significado.

Esse distanciamento entre as coisas como deveriam ser e as coisas aprendidas por mimetismo chega a criar uma certa surrealidade imperante que ninguem se da o trabalho de notar. Duvida... quer uma prova?

Papai-Noel : O bom velhinho veste roupas vermelhas, invade a casa das pessoas pela chaminé e lhes deixa presentes numa meia ou embaixo da arvore de natal, isso, durante o aniversário do nascimento de cristo. Noto o erro?
Bem... no nascimento de cristo, quem levou-lhe presentes nao foi um velho barbudo num trenó, foram 3 reis ricos e supostamente magos. Alias, certamente não chegaram num trenó de renas, mas sim, numa caravana de dromedários já que belem fica no meio do deserto, no oriente médio, onde renas nao sobreviveriam, onde um trenó de neve nao andaria 3 metros e onde as pessoas nao precisam de chaminé para lareiras.

Arvore de Natal : Bem... essa fala por si só... alguem ja viu pinheiros em "Lawrance das Arabias"? E, fitas e estrelas, tudo bem, mas alguem sabe o que sao aquelas bolas decorativas que só aparecem na época de natal? Alguem ja pensou sobre o significado de se sacrificar uma arvore para fins exclusivamente decorativos?

Eu ia escrever sobre o ano novo, mas acho que o natal acabou me prendendo mais a atenção... bem... ótima páscoa para todos e que no próximo ano nenhum de nós repita os mesmos erros mais uma vez!
"O hoje é apenas,
um furo no futuro
Por onde o passado começa a jorrar.
E eu aqui isolado,
Onde nada é perdoado
Vejo o fim chamando o principio
pra poderem se encontrar"


:: Twinlight Zone ::

Tem dias em que tudo gira tao rapido que na constancia da correria, todo o movimento é uma mancha em um grande quadro pintado na parede.
Os olhos se ofuscam...pouco a pouco a tinta escorre...

Tem momentos em que parece que o tempo se esquece que é três.
Tem momentos em que o passado já se foi e o futuro esquece de chegar

Não somos nós que paramos no tempo... é o tempo que nos esqueceu fora do seu fluxo.
O que fizemos para sermos esquecidos?

E cada bater de asas de uma borboleta ressoa como um pistão de uma locomotiva que começa a sua jornada lentamente

Cada carro que passa longe na pista soa como uma onda, daquelas que quebram várias vezes na praia, e que na singularidade de cada uma, trazem a certeza de que após, outra mesma e redundante onda virá.

Dias que de tanto respirar e expirar falta tempo para a inspiração

O fundo dos meus olhos lhe revelará