"Angely i demony kruzhili nado mnoj
Razbivali ternii i mlechnye puti
Ne znaet schast'ya tol'ko tot,
Kto ego zova ponyat' ne smog..."
(ninguém tmb é obrigado a saber japonês né..)
"Angels and demons were circling above me
Swishing through the hardships and milky way
The only one who doesn't know happiness
is the one who couldn't understand its call"
:: Humanos nao amadurecem, são cozidos até o ponto de servir ::
No século passado me ensinaram na escola que o ciclo da vida era nascer-crescer-reproduzir-morrer. Naquela época eu pensava nisso dentro de um contexto simeo, e a coisa sempre me soava como algo longo, algo que se levava "a vida inteira" pra realizar.
Especialmente o crescer... crescer era um processo que vinha sempre associado a uma arvore, à idéia de germinar, de estender lentamente os galhos em direção ao sol, encorpar-se o tronco e, no auge da maturidade, esbanjar flores que, por fim pudessem produzir frutos, transpondo-se do "crescer" ao "reproduzir".
Pois hj, a vida contemporânea me faz situar o nosso "ciclo da vida" num contexto distinto, mais como a existência de uma arvore de natal.
Primeiro, o nascimento não é mais um ato de celebração, não é um grande acontecimento na vida familiar... alias... algumas vezes, se quer há exatamente uma "família" (mas esse não é o ponto). O fato é que, de repente, gravidez inesperada, despreparada, desamparada ou indesejada e a pessoa "surge" e ponto.
Ai, ja vai logo se submeter a um breve porém duradouro processo de preparo ou de "cozimento" em que se vai induzindo-lhe desejos e demandas e temperando-lhe comportamentos para que o quanto antes (e o mais antes possível), possa estar no ponto para ser exposto na prateleira.
Ainda antes de chegar ao ponto certo, vai-se apresentando aquela pessoa, para olhos famintos, sendo servida num caldo de produtos químicos e impulsos elétricos e digitais, quase que num pós-cozimento, com fitas decorativas e presentes aos pés.
Então, consumo... como os insetos... como um marido de uma viuva negra. Ao mesmo tempo em que se consome, consome-se e é consumido. Como os flocos de um dente-de-leão sendo arrancados de seu talo pelo vendo, num duplo apogeu de reprodução e desfazimento.
Por fim... se morrem ou nao, é irrelevante, na sua maioria, sao esquecidos ou condenado ao esquecimento. E mesmo quando assim não o são, acaba-se por sentir-se impedidos de voltar àquela "vida" passada de quem "vivia" como-se-não-houvesse-amanha, preso a um hoje que, como vida, de tanto que se cozinhou, não existe...
E instala-se um surgir-cozer-consumir-esquecer...