"O hoje é apenas,
um furo no futuro
Por onde o passado começa a jorrar.
E eu aqui isolado,
Onde nada é perdoado
Vejo o fim chamando o principio
pra poderem se encontrar"


:: Twinlight Zone ::

Tem dias em que tudo gira tao rapido que na constancia da correria, todo o movimento é uma mancha em um grande quadro pintado na parede.
Os olhos se ofuscam...pouco a pouco a tinta escorre...

Tem momentos em que parece que o tempo se esquece que é três.
Tem momentos em que o passado já se foi e o futuro esquece de chegar

Não somos nós que paramos no tempo... é o tempo que nos esqueceu fora do seu fluxo.
O que fizemos para sermos esquecidos?

E cada bater de asas de uma borboleta ressoa como um pistão de uma locomotiva que começa a sua jornada lentamente

Cada carro que passa longe na pista soa como uma onda, daquelas que quebram várias vezes na praia, e que na singularidade de cada uma, trazem a certeza de que após, outra mesma e redundante onda virá.

Dias que de tanto respirar e expirar falta tempo para a inspiração

O fundo dos meus olhos lhe revelará



"I close my eyes
only for a moment
and the moments gone
all my dreams
pass before my eyes a curiosity
dust in the wind
all we are dust in the wind"

:: Pensamento Lateral em Noite de Insonia ::

Eu nao tinha nada que estar com insonia numa noite como esta.
Mas talvez seja exatamente o nada
que me perturbe.

Certa vez postei que a vida era algo como uma TV com chiado, mas o chiado da TV é outro assunto... mas fico com a metafora que talvez me sirva...
Quando só existem TVs preto e branco, vc acha ótima a vida em cinza, até aquela noite em que vc sai e descobre que a vida poderia ser a cores.
Voce nem mesmo sabe exatamente o que tem de tao bom na vida a cores, mas desde entao, a sua velha vida em preto e branco se torna a coisa mais monotonica que alguem poderia vivenciar

De repente eu me vejo vivendo em preto, vislumbrando o que poderia ser um raio de cor, o que poderia ser contemplar um par de vermelhos surgindo dentre tantos pretos numa noite de insônia.

De repente sao tantas duvidas, tantas coisas que se impõem que a única conclusão que chego é na redundância de que qualquer cor em preto e branco vira sombra.
De que levar cores para um mundo em tons de cinza é tirar-lhe exatamente aquilo que a faz especial, que a faz cor.

Acho que o que eu queria é ter alguem que me tirasse o sono.
Na falta de alguem, fico eu comigo mesmo
perturbando a sanidade que me resta.

Não é um poste que tenha que fazer algum sentido....
alias, se a vida toda fizesse sentido, nao teria mais muita graça.

Talvez a musica faça sentido..... talvez...


I see a red door and I want it painted black
No colors anymore I want them to turn black
I see the girls walk by dressed in their summer clothes
I have to turn my head until my darkness goes




:: Rituais de empoderamento ::

Eu sou o maior dos egoístas.
Eu passei toda a minha vida criando um legado anônimo de autruísmo.
MEU legado, meu ego.
Dizem que devemos punir o dolo dos nossos atos.

Não sei se meu dolo é por meu ego ou meu legado.
Relego ao tempo que me puna pelo que ele me julgar culpado.

Subverto a ordem e seus fundamentos pela minha ordem infundada.
Subverto aquilo que se fortalece nas suas fundações por uma antiordem que se fortalece no seu infundamento, no fundamentalismo da dinâmica acima de qualquer desordem.

Quando se esta numa batalha, pensa-se que de lá só são possíveis dois resultados:
ganhar ou perder.
Eu já me acostumei com dias em que se ganha e dias em que se perde.

Mas quando se luta contra aeons e contra antigos elementares,
quando se esta num confronto épico, as possibilidades são outras,
não nos limitamos a ganhar ou perder, mais do que isso,
dançamos entre a vitória e a derrota, o triunfo e o sacrifício.

Situações de crise são oportunidades, oportunidades perigosas e necessárias.
Toda a crise leva a crescimento, mas é na crise em que se decide quais pedaços de si teremos que abandonar para superar os desafios, para transpor as forças que nos pressionam.

Toda superação é renascimento, não se cruza o mesmo rio duas vezes, nem antes nem depois das cataratas de seu curso.
Depois de passar por debaixo da cachoeira perdemos o medo de se molhar...
após a superação de crises, não atravessamos o mesmo rio novamente
pq passamos a ter um pouco do rio e o rio passa refletir um pouco de nós.

"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para nao tornar-se um deles.
Quando vc olha muito tempo para o abismo,
o abismo passa a olhara para você"
"Conversion, software version 7.0
Looking at life through the eyes of a tired hub
Eating seeds as a pastime activity
The toxicity of our city, of our city
Now, what do you own the world?
How do you own disorder, disorder... "


::Brainrain::

Imagine a cena, um quarto desordenado, escuro, fim de semana, uma pessoa, e a unica fonte de luz é um velho computador.
Existência talvez seja o maior desafio de todos nós.
Ser o que somos... e o que somos?
(eu me espanto com a facilidade que os outros tem de preencher um perfil de orkut!)
Eu sou apenas um aglutinado de palavras soltas em um blog moribundo.
Vc, talvez um afoito leitor em um cyber-café, ou mais alguém que usa a tela do computador como iluminação ambiente.

Nada mais subversivo num mundo como o de hoje do que um blog que não quer aparecer.
É estranho as pessoas se definirem por seus aspectos mais curiosos, alguns elementos tão íntimos, tão tênues e tão fundamentais.

Quando se vive sozinho, preservar seu meio é auto-preservação.

Quando vc chega na sua casa, a pia da cozinha cheia de pratos a serem lavados, a poeira tornando-se visível em vários móveis que vc não usa ha algum tempo, o vaso sanitário com mais ares de mictório... aquele meio reflete vc, cada problema não resolvido, cada aspecto seu mal cuidado, cada parte negra do lado oculto de um pão esquecido sobre o criado mudo da cama de casal.



"In the eye of the storm you'll see a lonely dove
the experience of survival is the key
to the gravity of love"


"Tem dias que a gente se sente, como quem partiu ou morreu"
Pois é... hj é um desses dias.
Tem certas coisas que se fosse nos EUA era terrorismo, mas como é no Brasil, é o Governo.
Mas tem tanta coisa me indignando que eu nem vou parar pra falar disso.

***

É a ampulheta percebendo que a areia está acabando, que ou é hora de se perder o sentido de tudo e de si, ou toma-se uma atitude, vira-se tudo de cabeça pra baixo para começar de novo.

É confundir-se a sensação de cansaço porque as coisas não acabam, com o sentimento de que absolutamente tudo já acabou e nada começa.

Nada como amar infinitamente o finito e senti-lo ir-se embora na queda de cada grão de areia pelo buraco da ampulheta.

***


É ver num mesmo vislumbre o tempo fazer-se constante e o mundo parar de rodar.
É ver a individualidade perder-se num caldo de humanos igualmente diferentes.

"Eu queria ser uma bomba" daquelas que destrói com tanta intensidade que abre espaço para a reconstrução... do tipo que ninguém esquece, e que marca o novo começo.

Eu queria ver a mudança... mas acabo vendo que tudo muda o tempo todo e o mudar simplesmente passou a ser uma monótona constante.

Falta arte na minha vida.... artista. Falta algo de lúcido que só pode vir da insanidade de quem é capaz de transcender a razão para produzir uma obra que fala diretamente aos sentidos e comunica sentimentos.

***
"Senti vontade de destruir algo bonito"
***


Volto-me contra o mundo, contra tudo e contra todos... e descubro que tudo e todos, nos seus erros, carregam algo de mim...
Volto-me contra mim mesmo e nos meus erros, encontro o conforto de saber que sou exatamente como todos os demais.
E desço da minha eumesmisse para tornar-me mais um. Diluo-me no caldo de tudo e de todos, caio na dança e ao final... durmo como quem morre, ou melhor, como quem metamorfa-se em eu nenhum.

"Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
"