"In the eye of the storm you'll see a lonely dove
the experience of survival is the key
to the gravity of love"


"Tem dias que a gente se sente, como quem partiu ou morreu"
Pois é... hj é um desses dias.
Tem certas coisas que se fosse nos EUA era terrorismo, mas como é no Brasil, é o Governo.
Mas tem tanta coisa me indignando que eu nem vou parar pra falar disso.

***

É a ampulheta percebendo que a areia está acabando, que ou é hora de se perder o sentido de tudo e de si, ou toma-se uma atitude, vira-se tudo de cabeça pra baixo para começar de novo.

É confundir-se a sensação de cansaço porque as coisas não acabam, com o sentimento de que absolutamente tudo já acabou e nada começa.

Nada como amar infinitamente o finito e senti-lo ir-se embora na queda de cada grão de areia pelo buraco da ampulheta.

***


É ver num mesmo vislumbre o tempo fazer-se constante e o mundo parar de rodar.
É ver a individualidade perder-se num caldo de humanos igualmente diferentes.

"Eu queria ser uma bomba" daquelas que destrói com tanta intensidade que abre espaço para a reconstrução... do tipo que ninguém esquece, e que marca o novo começo.

Eu queria ver a mudança... mas acabo vendo que tudo muda o tempo todo e o mudar simplesmente passou a ser uma monótona constante.

Falta arte na minha vida.... artista. Falta algo de lúcido que só pode vir da insanidade de quem é capaz de transcender a razão para produzir uma obra que fala diretamente aos sentidos e comunica sentimentos.

***
"Senti vontade de destruir algo bonito"
***


Volto-me contra o mundo, contra tudo e contra todos... e descubro que tudo e todos, nos seus erros, carregam algo de mim...
Volto-me contra mim mesmo e nos meus erros, encontro o conforto de saber que sou exatamente como todos os demais.
E desço da minha eumesmisse para tornar-me mais um. Diluo-me no caldo de tudo e de todos, caio na dança e ao final... durmo como quem morre, ou melhor, como quem metamorfa-se em eu nenhum.

"Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
"



"Angely i demony kruzhili nado mnoj
Razbivali ternii i mlechnye puti
Ne znaet schast'ya tol'ko tot,
Kto ego zova ponyat' ne smog..."

(ninguém tmb é obrigado a saber japonês né..)

"Angels and demons were circling above me
Swishing through the hardships and milky way
The only one who doesn't know happiness
is the one who couldn't understand its call"


:: Humanos nao amadurecem, são cozidos até o ponto de servir ::


No século passado me ensinaram na escola que o ciclo da vida era nascer-crescer-reproduzir-morrer. Naquela época eu pensava nisso dentro de um contexto simeo, e a coisa sempre me soava como algo longo, algo que se levava "a vida inteira" pra realizar.
Especialmente o crescer... crescer era um processo que vinha sempre associado a uma arvore, à idéia de germinar, de estender lentamente os galhos em direção ao sol, encorpar-se o tronco e, no auge da maturidade, esbanjar flores que, por fim pudessem produzir frutos, transpondo-se do "crescer" ao "reproduzir".
Pois hj, a vida contemporânea me faz situar o nosso "ciclo da vida" num contexto distinto, mais como a existência de uma arvore de natal.
Primeiro, o nascimento não é mais um ato de celebração, não é um grande acontecimento na vida familiar... alias... algumas vezes, se quer há exatamente uma "família" (mas esse não é o ponto). O fato é que, de repente, gravidez inesperada, despreparada, desamparada ou indesejada e a pessoa "surge" e ponto.
Ai, ja vai logo se submeter a um breve porém duradouro processo de preparo ou de "cozimento" em que se vai induzindo-lhe desejos e demandas e temperando-lhe comportamentos para que o quanto antes (e o mais antes possível), possa estar no ponto para ser exposto na prateleira.
Ainda antes de chegar ao ponto certo, vai-se apresentando aquela pessoa, para olhos famintos, sendo servida num caldo de produtos químicos e impulsos elétricos e digitais, quase que num pós-cozimento, com fitas decorativas e presentes aos pés.
Então, consumo... como os insetos... como um marido de uma viuva negra. Ao mesmo tempo em que se consome, consome-se e é consumido. Como os flocos de um dente-de-leão sendo arrancados de seu talo pelo vendo, num duplo apogeu de reprodução e desfazimento.
Por fim... se morrem ou nao, é irrelevante, na sua maioria, sao esquecidos ou condenado ao esquecimento. E mesmo quando assim não o são, acaba-se por sentir-se impedidos de voltar àquela "vida" passada de quem "vivia" como-se-não-houvesse-amanha, preso a um hoje que, como vida, de tanto que se cozinhou, não existe...
E instala-se um surgir-cozer-consumir-esquecer...


:: Requiem à Rosa - Cecília Alexandroni ::

Pois que vá em boa viagem
Acho que desde o inicio eu sabia que não nos veríamos mais. Eram destinos que se encontraram, como os trilhos de uma longa estrada de ferro que seguem sempre juntos, e mesmo próximos, nossos caminhos nunca se cruzaram.
Com o passar do tempo a morte sempre me pareceu uma figura presente na tua vida, alias, tenho que admitir que a morte lhe cai bem.
Para mim, que aqui fiquei, resta o sentimento não de quem perdeu, mas de quem quase ganhou, de que com a tua ida, ficou com um copo meio cheio que nunca se completará.
Uma conversa e uma ultima taça de um vinho que nunca vamos beber.
Tua presença certamente incerta era algo de constante na minha vida acidentada.
Tu será lembrada. Como quem emoldura uma velha fotografia, guardarei teus textos, para preservar a tua-minha imagem de você, até que a morte nos una novamente.
Prezada amiga, até lá, sentirei saudades.
:: e eu com os papeis... ::

Eu corri... as escuras o juízo mostrou suas garras, mas eu tinha meus informantes e eles me disseram. Tive 48 horas para combater-lhe. E eu ja havia ganho aquela luta por duas vezes antes, o mesmo adversário, a mesma arma. Mas dessa vez era diferente. Dessa vez era a terceira vez e ele estava mais ágil, tinha os pés mais firmes e a fundação mais sólida.
Não consegui derrubar-lhe como nas outras vezes, e parti para um novo patamar. Tentei atacar-lhe em um terreno onde ele não era o todo poderoso, onde nós seriamos iguais.
24 horas antes eu estava lá apresentando minhas armas....
6 horas antes ele estava consumindo meus moinhos, e eu ainda aguardava um sinal que viesse do alto... fui vitimado pela inércia de uma luz que nunca chegou, pela incompreensão sobre um tema que de tal simples, é até difícil de se imaginar que esteja tão errado.
No final, vi o reino que defendia queimado e as coisas destruídas.
E quando me pediram pra explicar o motivo de tamanha injustiça, apenas me lembrei de um velho campesino que certa vez, quando ainda era aprendiz, me olhou no fundo dos olhos e disse "a justiça quem da é deus, vocês só me dão papeis".

Essa semana eu tive uma cliente despejada por um processo da qual ela não participou, por uma juíza que não quis deixar-lhe falar, por uma oficial de justiça que não pode esperar, por uma desembargadora que chegou tarde para trabalhar e que, quando resolveu dar a resposta, ja era tarde de mais.
:: Um dia seremos todos desnecessários ::

As pessoas se relacionam pela rede, e pela rede elas estabelecem relaçoes.
Pessoais, emocionais, conceituais. As pessoas escrevem o que pensam e linkam akilo que pensam com aquilo que entendem ter relaçao.
Associar ideias é uma das atividaes mais basicas do cerebro cognitivo, alias, a cognição é um dos elementos fundantes das atividades e relaçoes humanas.
Cada post, cada link, cada conteudo que colocamos na rede, associamos a outros, vinculamos imagens a ideias, ideias a conceitos...
A cognição humana segue padroes que tentam ser copiados por redes neurais.
No cerebro humanos, o pensamento leva a uma ideia por um emaranhado eletrico de caminhos estabelecidos. A rede reforça os caminha que sao uteis e enfraquece os que nao sao usados.
A rede é um grande emaranhado de caminhos os quais percorremos. Caminhos mais uteis recebem maior numero de acessos e vao sendo reforçados. Caminhos mais inuteis (como o blog que vos fala) vai lentamente deixando de ser acessado e com o tempo, deixa de fazer parte dessa rede, deixa de levar a qualquer lugar.
Hj somos nós que percorremos os caminhos da rede, mas, nesse percorrer de caminhos, estamos ensinando a rede a como devem ser estruturadas as ideias, os conceitos, como devem ser suas cognições.
Gradativamente criamos um cerebro morto, cheio de pensamentos, ideias e vontades, mas incapaz de impulcionar-se a si mesmo.
Somos a faisca de força que opera este cerebro.... até que alguem invente algo que consiga utilizar toda essa informaçao para produzir informaçao. Ai.... seremos desnecessários.

Até lá nos resta esperar que seja la o que vier, vai ser mais moral do que o atual produto de nós mesmos.