:: Mais humanidades que Cristo... ao pé de uma parede ::

O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,


Sabe, é que ha aquela eterna inconcistencia da etérea substancia das criaturas de hoje em dia.
Nao sei por que, mas desde que as aparecias vêm prevalecendo, as pessoas tendem a se entregar pelos valores mais insignificantes, para os grileiros das piores estirpes.
Sofrimento nao é ver alguem que nao vale nada (e tanta gente nao anda merecendo nem o espaço que tem garantido no obituário), o sofrimento mais humano é ver alguem que ainda valhe alguma coisa, se vendendo a um valor insignificantemente irrisório.
Ora, vender-se ja seria sofrivel... dar-se como quem nao vale mais do que qualquer outro vendido... revela as piores práticas éticas (e um pessimo senso de mercado).
É como ver ilhas de esperança escolhendo mergulhar no mais profundo abismo valoral.
Nao, desculpa, nao gosto das criaturas humanas de hoje em dia... a mediocridade de todos é como um vírus que contamina a cada um cujo sistema imunológico se encontre em baixa. Mais! é como um toque de Midas, cada um que sucumbe a seus disparates se volve com o brilho do ouro em sua volta, e com o conteudo mental de um sanitário publico dos mais bem frequentados em seu interior.
O fato nao é o efeito ja sabido das diversas tentaçoes... o fato é a renovada perda de esperança na incessante sucumbencia cotidiana de novos e novos adeptos que se deixam converter-se no que ha de pior, no que é mais humanamente normal, e, antiteticamente, menos humano.
Mas mesmo assim... sigo tomado de surpresas para cada um que sucumbe à estetizaçao de todo o resto.
Tanta coisa pra escrever e na hora nao me vem nada de util pra falar.
Mais um poema mal escrito... esse é pouca coisa mais recente e conta com inspirações de Sabina. Pensei em nao publicar mas como nao me veio nada de mais util pra falar por aqui, vai ele mesmo... se quiser deixar só um oi de comentario eu vou entender.

Ela lhe pediu que a levasse ao fim do mundo.
Ele batizeu com seu nome cada lua que nascia.
E se olharam um segundo... como dois desconhecidos.

Ele a acompanharia até os portais do inferno se, assim ela quisesse.
E a resgataria de la, quando ela necessitasse.

Em troca só o que sempre se espera... sinceridade e respeito.
Nunca lhe pedira nada em troca...
mas mesmo assim, o unico pedido lhe fora negado.

Tantas vezes se perderam...
e agora estavam irremediavelmente perdidos.
Como as folhas que o vento leva e nao traz mais
Cada um à sua sorte...

Ficou ali onde o vento deixou.
Respirou profundamente como quem ja nao lembrava mais do chero da vida.
Levantou-se, arrumou-se e encarou o dia...
fugindo da noite que ficara pra traz, erguia a cabeça e buscava forças.
Como um escultor que olha para a pedra natural,
Olhava para o dia buscando o ponto certo para recomeçar do zero.
Espero que vcs gostem de poemas, pq devem vir uns dois ou trez... é meu, nao copie, nao divulgue, nao recite nao anote... Comentários, criticas e sugestões sao muito bem vindas.

Velho Barrero

Há, a vida...
Como defini-la?
Ela é mais do que isso
Apesar de nao sermos os mesmos
Apesar de sermos os mesmos que sempre fomos
nao somos os mesmo...
...Nao importa...

?Até a morte o resto é vida?
O resto é vida
O resto

é isso que nos resta
O resto é vida

Lá estou eu encolhido num canto
porque o resto da sala nao me quis
Lá estou eu no confessionário assassinando alguns pecados
porque o resto deles eu omiti
porque o resto eu guardei pra mim mesmo
Meu resto, meus demônios

E até a morte o resto é resto
Apesar de tudo, pouca coisa me resta
Alem do resto da minha vida
Pouco tenho a oferecer

Lá estou eu sob os holofotes
porque o resto nao conseguiu fazer
Lá estou eu pregado na cruz
porque o resto se omitiu
porque o resto me guardou pra si mesmo
Meu rosto, seus demônios

Até a morte o resto é memória
já o pesar da morte porem, é outra história.
"Multiple gunshots fill the block,
the fun stops Niggaz is callin cops,
people shot, nobody stop
I wonder when the world stopped caring last night
(..)
I can feel it coming in the air tonight, oh Lord
I've been waiting for this moment all my life, oh Lord"





:: Ignorânci é Dadiva / Conhecimento é maldição ::

De inicio eu confundia com loucura e paranoia. Quando você ve que por traz de atos simples existem impulsos, motivos e em alguns casos, razões friamente calculadas impulcionando até mesmo uma simples troca de olhares.
Nessa época eu duvidava da realidade... existencia e falsidade andão tao juntos que era mais simples pensar que o real era irreal do que saber as tantas mentiras da vida.
Hoje eu sou amadiçoado com a capacidade de ver. Alguns chamam isso de olhar sociológico, outros simplesmente de empatia ou alteridade. Pra ter uma ideia pratica, pense em Matrix, o filme. Pois bem, é como, em alguns casos, poder ver o código que corre dentro das pessoas e mais, o código que corre entre elas, que costura suas interações, num sistema complexo de resultados imdesvendaveis.
É como a maldição do cyclop, que na mitologia, trocou um olho para poder ver o futuro. Ironicamente, atraiçoado pelo deus com quem negociara, o unico futuro que ele pode ver é o dia de sua morte.
Hoje eu sei enchergar as coisas, e tudo que vi me faz carregar a cruz do fato que no mundo as coisas são piores que a mera realidade aparente. Pela constatação da putrefação da vida mundana, aprendia a valorizar a beleza fugas das pequenas coisas que ainda nao se corromperam com essa vida.
E pela mesma razão, levantei fortalezas para proteger qualquer coisa de bom que ainda esteja esquecida dentro de mim.

Um aviso: não se aproxime, a não ser que sob o risco de eu vislumbrar o teu espirito.

"And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time"




:: Bela do Bar ::

(Salamanca - 22/3/04)

Eram quatro da manha, a marcha estava naquele momento clássico em que os bares começam a fechar e as boates ainda não encheram. Entrei em um pequeno pub. Ainda tinha gente suficiente para dificultar o caminho até o balcão. Ao chegar peço ao barmen um aguardente de ervas e sou atendido com a impessoalidade da pressa de costume.

No canto oposto do bar vejo uma jovem que me chama a atenção. Levava um cabelo femininamente curto, do qual saiam leves mechas avermelhadas. Dançava como quem quisera libertar seu corpo ou libertar-se a mente dos limites que a física impõe ao direito de dançar.

A musica não ia além do disco habitual... decido me aproximar para observa-la melhor.

Levava as sutilezas da luxúria em seu traje noturno. O tecido sintético da blusa e da calça definiam o corpo. Expostos, braços e ombros mostravam a leveza de uma musculatura exercitada e revelava detalhes sutis de uma elaborada lingerie escolhida com cuidado de modo a alimentar intimamente a vontade de uma paixão que de surpresa lhe tomasse por inteiro e que lhe propiciasse o momento de desejo onde pudesse mostra-la como a moldura de uma pintura, um quadro perfeito cuja imagem fosse capaz de revelar em si a beleza profana de uma divina criatura. Me pus a imaginar-la em frente ao espelho combinando saltos e cintos, sonhos e roupas e festas e noites.

Eram quatro da manha, a marcha estava naquele momento clássico em que os bares começam a fechar e as boates ainda não encheram. Terminei minha dose e guardei aquele instante no bolso. Sai pela porta do bar apreciando a torre medieval que se levantava alto ao céu, cortando as brumas da fria madrugada.

Desci as escadas, caminhei até o final da pequena praça e volvi meu olhar a janela do bar. Baixo um neon mal acendido, detrás do vidro da janela, a vi pela última vez. Como passageira de um trem que mira a paisagem na janela lateral, foi-se do jeito que veio e ficou como nunca vai estar em nenhum outro lugar. Se buscava o que ver dentro do turbilhão de coisas que passava, ficou como um quadro jogado do alto de uma ponte, visto por um pássaro que voava rente ao rio.

Eram quatro da manha do primeiro dia de primavera. Meus pés cansados se acertavam dentro do coturno mal lustrado. Os ladrilhos de pedra por onde pisava, o relógio da praça e o barulho de vozes ao meu redor me lembravam que ainda faltavam quatro horas para o fim da noite. Deslizando meu olhar às estrelas suspirei. O frio de quatro graus converteu o ar de minha boca em uma fumaça grossa... repeti o gesto como quem dava uma longa tragada no cigarro da vida. Podendo ver a ponta do cigarro queimando, soltei lentamente o ar nebuloso pela boca, degustando-o, como tantas vezes o fiz em um tempo não muito remoto e, então, parti.

Tattoos of memories and dead skin on trial
For what it's worth it was worth all the while
it's something unpredictable, but in the end it's right.
I hope you had the time of your life.





:: Killing you in me in you ::

Algumas vezes achamos que conhecemos as pessoas, e com o tempo descobrimos que estamos errados.
Algumas vezes conhecemos as pessoas e com o tempo as pessoas vao mudando.
Alugmas vezes as pessoas melhoram, saem de fases dificeis.
Outras vezes, elas envelhecem, secando pouco a pouco por dentro, e de um dia pro outro ela perde o brilho nos olhos.

Nada mais dolorido do que pegar-se na constatação de que uma pessoa linda, tornou-se mais um gargola num grupo de estatuas cinzentas.
Nada pior pra humanidade do que perder pessoas boas... é como jogar um diamante no oceano, como perder o irrecuperavel.

As vezes, na minha arrogancia, tenho a fé de que faço mal aos que de mim se aproximam. De fato, mesmo que eu faça, alguns simplesmente se fazem mal por escolha própria. Alguns, inconcientemente ou não, optam por tornar-se ruins e estar-se dentre os piores.

Assim, lavo minhalma de culpa, mas carrego a dor da perda pelo resto de nós.

"Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
(...)
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro."